terça-feira, 19 de julho de 2011

MEMÓRIAS DE UM ESTUDANTE DE MENTIRA (7)

A Gastronomia lado B de Porto Alegre (ou)

Guia Gastronômico do Universitário Pobre


Este com certeza é o capitulo mais saboroso das Memórias, afinal de contas, comer bem é uma arte. Se esta máxima é verdade eu sou um péssimo artista.
Durante os vários anos como morador da CEU (Casa do Estudante Universitário) com certeza o local aonde fiz a enorme maioria das refeições foi o RU (Restaurante Universitário). A razão principal era o preço (0,50 centavos), apesar de não poder descartar a razoável qualidade da comida. Sobre o RU não falarei muito, só mencionarei a deliciosa lasanha de bolacha Maria a bolonhesa servida no jantar, um prato requintado e sustentável, por se tratar das sobras do café da manhã (bolacha) somadas as sobras do almoço (bolonhesa).
Na verdade, o objetivo deste capítulo é mais ousado do que falar somente do RU pretendo que estas linhas sirvam como guia para os universitários de baixa renda domiciliados próximos ao centro da capital gaúcha, para tanto descreverei a seguir as características de alguns points gastronômicos, por assim dizer, que visitei (as vezes com certa freqüência) em Poa.


Cachorro do Seu Hélio: sem dúvida foi o local aonde mais gastei meus escassos dobrões. Em uma determinada época era sagrado comer um doguinho caprichado do seu Hélio nas madrugadas de jogatina do sétimo andar, se pensarmos que todas as madrugadas tínhamos jogatina dá para imaginar quantos dogs foram consumidos. Outro fator determinante para ser cliente desse cachorro quente era o atendimento diferenciado, sempre, querendo ou não, você ouvia uma grande história (impossível precisar a sua veracidade) do seu Hélio. Este estabelecimento gozava de tanto apreço entre os “nossos” que até citado em discurso de formatura ele foi.

Submarino Amarelo: não era bem este o nome do restaurante, mas eu costumava chamá-lo assim por ele ter uma fachada amarela e pela rapidez de submersão da comida em nosso aparelho digestivo, acho que o organismo se recusava a fazer o seu trabalho, talvez pela insalubridade. No submarino amarelo se pagava R$ 3,50 e se comia o quanto conseguisse, porém só era permitido o consumo de uma carne. O buffet tinha uma peculiaridade, ele era aberto às onze da manhã e fechava à meia noite, ao longo do dia a nova comida era simplesmente colocada sobre a antiga ou seja, existia uma grande chance de você a meia noite comer uma deliciosa salada de maionese feita as 11h, por isso eu nunca vi ninguém comendo a salada de maionese.

Restaurante da Sigourney Weaver: Obviamente o nome da dona deste agradável estabelecimento não era Sigourney Weaver, porém as semelhanças com a personagem principal do filme Alien (interpretado pela Sigourney) explicavam a alcunha. O buffet livre com 2 carnes, 2 frutas e 1 copo de refrigerante (não era da linha da Coca) custava meros R$ 3,80, era ideal para os almoços de sábado. O detalhe deste restaurante era a vigia que o casal de donas fazia no momento em que os clientes serviam os seus pratos, se você pensasse em pegar mais uma carne era detido rapidamente, se por engano pegasse mais de duas frutas recebia contestação imediata e era persuadido a abandonar o excedente. Dá para dizer que a dona tinha que matar um Alien por dia para obter lucro.

Cantina do Seu Thomas: Este era o local ideal para se alimentar ao acordar no domingo, ou seja, às 4h da tarde. Geralmente estavam presentes neste estabelecimento as mentes mais brilhantes do submundo portoalegrense. Tinha o “seu Madruga”: um sujeito extremamente irritado que estava sempre sentado no mesmo lugar falando de escolas de samba, tinha outro, “O Professor”, que sempre estava acompanhado de uma mariposa diferente (dividindo um pf com ela), tinha um ex-enxadrista alcoólatra (este sem apelido) e o seu Thomas é claro, sempre com seu mau humor peculiar e bebericando uma cerveja que guardava embaixo do balcão. A opção mais pedida era o PF (R$ 3,50 com uma carne), e o melhor de tudo: era permitido repetir o arroz, feijão e massa, quantas vezes fossem necessárias, era o já aclamado REPETECO.

Pizza Palito: Esta aqui foi histórica, estávamos em um restaurante na esquina da CEU (atualmente sob nova direção) e pedimos uma deliciosa pizza que custava R$ 10,00. Ao servirem a pizza percebemos a inoportuna presença de dois palitos de dente, dispostos perpendicularmente sobre a mussarela e entre fatias de tomates e calabresa. Obviamente reclamamos, invocando os direitos do consumidor e solicitando a troca da pizza, e neste momento, para nossa surpresa, o dono do local nos garantiu que os palitos não tinham sido usados e indicou que simplesmente retirássemos os intrusos e consumíssemos a pizza como se nada tivesse acontecido. E foi exatamente isso o que fizemos, afinal de contas o que é um palito para quem mora na CEU.

Tropical Lanches: E por último, mas não menos importante, falo sobre o Tropical Lanches. Neste estabelecimento nós desfrutávamos de ambiente familiar, culinária típica de mais de 50 países (Chipre, Butão, Antigua e Barbuda, Vanuatu, Zaire, Etiópia, Omãn, Micronésia, Sbórnia dentre outros), atendimento diferenciado e o melhor pastel de queijo da madrugada portoalegrense. Na verdade o tropical abrigava a escoria faminta da subsociedade gaúcha, além de ser o ponto de esquenta para os galãs de rodoviária e a saidera das prostitutas. Resumindo, era um lugar completo. Foram inúmeros os personagens suigeneris encontrados no tropical e várias histórias engraçadas vividas neste local, porém gostaria de destacar uma delas que tem como personagem principal o nosso herói: o Man.
Então, estávamos prestes a solicitar ao prestimoso garçom uma saborosa pizza quando, ao ver a presença de ovo frito no cardápio pela bagatela de 0,50 centavos, o man interferiu no nosso pedido e indagou o garçom da possibilidade de ser acrescentado o ovo em seu respectivo 1/4 de pizza, este pedido simplório causou grande estranheza ao garçom e absoluta comicidade a situação. Estava criada a pizza de calabresa com ovo frito.

Acho que são estes os estabelecimentos mais destacados do centro de Porto Alegre. Acredito que estas informações possam ser muito úteis para a chinelagem universitária, e Bom Apetite.

Radioleiga (Semana 6)

Já esta no ar a Radioleiga semana 6, deveras eclética por sinal. A playlist refere-se ao post “top 10 bandas nacionais de uma musica só!” publicado em 17 de março de 2011. O negócio é dar play (como se fosse preciso) e deixar rolar.
Tendo em vista que estamos em mês de aniversário do blog, tive uma ideia para a próxima playlist, que será: Radioleiga semana 7 pedidos dos leitores. É simples, é só deixar um comentário neste post dizendo quais músicas (duas no máximo) você quer ouvir na próxima semana da Radioleiga, independente de gênero, religião, cor ou classe social. As 2.500 primeiras farão parte da playlist, então corra antes que seja tarde demais.

1 ANO DE LEIGO PARA LEIGO!

É com muita satisfação que escrevo este post comemorativo. É difícil acreditar que o blog sobreviveu ao primeiro ano, tendo em vista que metade dos blogs não consegue resistir, este é um feito para ser comemorado.
Neste primeiro ano de existência (completo em 15 de jul.) é possível identificar alguns números interessantes, vamos a eles:


58 é o total de postagens;

foram feitos 233 comentários ao longo deste primeiro ano;

16804, este é o numero total de acessos do blog até este exato momento;

o blog é seguido atualmente por 12 perdidos;

3, é o numero de gols que o meu querido tricolor marcou no colorado no final de semana;

e para encerrar, 10 é a nota que eu dou para os leitores e comentaristas assíduos do blog.


E como hoje é um dia comemorativo, prometo que farei mais uma Radioleiga e mais um capítulo das Memórias. Você não perde por esperar!!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

REMINISCÊNCIAS DA MINHA INFÂNCIA: TOP 17 ALIMENTAÇÃO

“Bolete é o #aralho, o negócio é Bolin Fruta” (Duda do Marape - Bolin Fruta)

E com esta maravilhosa frase dou início a mais um capítulo da minissérie Reminiscências da Minha Infância. Neste capítulo temos o TOP 17 Alimentação, ou seja, doces, bebidas e chicletes que fizeram parte da minha infância.
A ordem estabelecida seguiu o critério de representatividade, as guloseimas mais presentes na minha infância ficaram com as melhores posições.
Sem mais delongas vamos a lista:

17 - Lanche Mirabel


Digamos que esse biscoito fosse o mais indicado para as crianças, simplesmente porque era o mais barato que existia no mercado. O fato de ser fácil de armazenar e transportar (pelo seu tamanho) dava ao Lanche Mirabel o status de merenda ideal para os recreios escolares, apesar de eu preferir comer a merenda de verdade, muitas vezes com direito a repetição.

16 - DinOvo


Está é somente a primeira aparição de chicletes nesta lista. Imagino que todos se lembrem do DinOvo. É impressionante como as empresas usam a criatividade para conseguir vender seus produtos, só assim para explicar a confecção de um chiclete em forma de ovo de dinossauro.

15 - Bala SOFT


Eram duras estas malditas balas. O gosto até que era aceitável, tanto quanto a possibilidade de se engasgar com ela. Pelo que me lembro 0,10 centavos compravam 4 balas Soft.

14 - Pirulito Chupeta


Definitivamente os Pirulitos Chupeta não tinham um gosto extraordinário, mas o que podemos esperar de algo que custava 0,15 centavos. Quando se é criança não se tem muito discernimento para algumas coisas.

13 - Cigarrinho de Chocolate Pan


Lembro-me de encontrar estes cigarrinhos de chocolate nos piores botecos da minha cidade, lembro também que não eram tão baratos. Ninguém tira da minha cabeça que a Pan (fabricante do chocolate) tinha um acordo com alguma fabricante de cigarro, e usava o formato de cigarro como mensagem subliminar para as crianças já aprenderem a manusear o cigarro. Reparem como o guri da imagem segura o seu chocolate.

12 - Dadinho de Amendoim


Provavelmente este é o alimento desta lista que eu mais gostava. Os comerciantes também deveriam adorar, porque sempre empurravam os dadinhos como troco, e quem não quer um troco assim. Lembro que também existiam dadinhos de caramelo, uma explosão de sabor.

11 - Bolin Fruta


O Bolin Fruta era um chiclete tão especial que mereceu a linda homenagem feita pelo trecho da música usada na abertura deste post. Enfim, mais uma empresa que utilizou a criatividade para atrair seus clientes, afinal de contas, nada melhor que mascar um chiclete com sabor e formato de melancia.

10 - Chicletes Ploc e Ping Pong


Estas duas marcas de chiclete obtiveram extremo sucesso pelo mesmo motivo, contemplavam o seu consumidor com uma maravilhosa figurinha. Formei várias coleções diferentes, mas uma delas fixou-se em minha lembrança: a do Ploc dois sabores (imagem). Ela trazia figurinhas com mistura de animais, tinha, por exemplo, o “ornitoporco” mistura de ornitorrinco com porco, ou o “raturso”, rato com urso. Era totalmente sem noção, mas era bom.

9 - Dan-top


Dan-top provavelmente era uma das tantas marcas dessa guloseima. Para quem não lembra, o negócio tinha o formato do famoso nhá benta (Kopenhagen), as semelhanças se resumem ao formato, porque o sabor do Dan-top era terrível. Eles utilizavam um chocolate extremamente gorduroso (o mesmo tipo de chocolate aparecerá outras vezes neste top). Mas o que esperar de um doce que custava 0,20 centavos.

8 - Sucos que vinham em embalagens Plásticas em forma de frutas


Não tenho a mínima ideia qual era o nome oficial deste suco, mas que era gostoso era. O fato de ele vir nestas embalagens especiais o encarecia consideravelmente, fato este que tornava o meu consumo deste produto um acontecimento raro, mas muito prazeroso.

7 - Miliopã


Escolhi a marca Miliopã para representar as outras milhões que fazem essa salgadinho barato e de qualidade duvidosa. 0,50 centavos era o valor de um saco gigante de salgadinho, tamanho família, ideal para acalmar um bando de crianças pentelhas. Este aqui a Elma Chips nunca ousou copiar.

6 - Maria-mole em casquinha


Era ruim, mas era bom. E o melhor, ela vinha com uma bexiga. Cá entre nós, geralmente a Maria-mole durava mais do que a bexiga, o que não era problema porque era só pedir mais 0,10 centavos para o pai e comprar outra.

5 - Sacolé (Geladinho)


O quinto colocado já salvou muitos brasileiros do calor extremo. O Sacolé é conhecido nacionalmente, não pelo mesmo nome é verdade, mas em se tratando de suco congelado dentro de um saco cilíndrico todo mundo conhece. O meu preferido era o industrializado (foto), mas os caseiros tinham o seu valor. Falar de Sacolé estando em uma temperatura de 7º graus é quase uma heresia. Chega verão!!!!!

4 - Tubaina


Está aqui uma coisa que muda de nome conforme o estado brasileiro. Aqui no Sul ninguém conhece por Tubaina. Na verdade o nome correto é refrigerante em garrafa retornável de 600ml. É mais um dos casos que a marca fica mais conhecida que o produto em si. Enfim, a Tubaina que eu mais gostava era de outra marca, Conquista, na verdade nem era tão boa assim, eu gostava mesmo é porque custava 0,22 centavos no mercado (levando o casco é claro) e 0,40 centavos em qualquer boteco.

3 - Bombom do Fofão




Reservei um clássico para o terceiro posto da lista. O sabor do bombom do Fofão era um atentado violento ao sistema digestivo humano, mas compensava pelo preço. Vocês lembram que eu falei do chocolate usado no Dan-top (9º colocado da lista), era exatamente o mesmo utilizado no bombom do Fofão. É por essas e outras que a infância não foi totalmente perdida.

2 – Guarda-chuvinha de chocolate


Uma tradição, é o mínimo que tenho para dizer sobre os Guarda-chuvinhas de chocolate. Na última páscoa minha esposa encontrou uma caixa deles em uma loja de 1,99, daí ela resolveu comprar e colocá-los na cesta do nosso filho de um ano e meio (lindo por sinal). Imagino que ela colocou lá para ele brincar, porque estes negócios são incomestíveis. Só para constar, o chocolate é o mesmo do bombom do Fofão.

1 - Ki-Suco


E o “alimento” mais representativo da minha infância é o Ki-suco. E não são poucos os motivos. Além de um sabor peculiar (água, açúcar e corante), o Ki-suco rendia que era uma beleza (2litros mais especificamente) e tinha um valor mais que acessível a todas as classes sociais (míseros 0,10 centavos).
Além do Ki-suco clássico, selecionei também a imagem do Qrefresco, com a simpática Baleia, que só pode significar o exacerbado rendimento da bebida, permitindo até que o maior mamífero do mundo se banhe em suas profundezas.


Aguardo comentários e aviso que em breve teremos o terceiro capítulo das Reminiscências e mais um capítulo das Memórias. É aguardar para ver.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Radioleiga (Semana 5)

Depois de algum tempo ausente do blog retorno com mais uma Radioleiga. Desta vez a homenagem é feita ao post top 10 clássicos da música brega nacional, publicado em 13/10/2010. Ou seja, uma seleção do puro creme do milho verde da música nacional.
Grande abraço a todos e aguardem novos posts.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Radioleiga (Semana 4)

Olha mais uma playlist da Radioleiga ai gente.
Nesta semana apresento a seleção mais pé no saco de todas. Ela é baseada no post Top 10 Músicas do Pop Rock Nacional que Encheram o Saco, publicado em 29/09/2010.
Boa sorte para todos, especialmente para os que conseguirem ouvir toda a playlist.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

REMINISCÊNCIAS DA MINHA INFÂNCIA: TOP 17 BRINQUEDOS

Como dizia Galileu da Galileia, Bilu Bilu Tetéia” (Sergio Mallandro)

Com esta oportuna frase do inigualável Sergio Mallandro dou início à minissérie: Reminiscências da Minha Infância.
A minissérie está dividida em três capítulos que serão apresentados ao longo das próximas semanas. O primeiro episódio traz o top 17 brinquedos que simbolizam a minha infância. É importante salientar que minha infância (pré-adolescência) se passa majoritariamente nos anos 1990, em um pacato e remoto vilarejo situado no noroeste do estado de SP, chamado Penápolis. Ressalto esta informação por entender que muitos brinquedos que fizeram sentido para mim podem não ter feito para alguns leitores do blog, por se tratarem, muito provavelmente, de uma característica regional.
A idéia dessa minissérie surgiu em uma conversa sobre programas antigos com o colaborador Alex, só para dar crédito. A ordenação foi feita a partir da representatividade que cada brinquedo teve em minha infância.
Sem mais delongas, vamos os Top 17 Brinquedos:

17 - Tamagotchi

E quem não se lembra desta maldita febre que assolou a nossa infância: o famigerado Tamagotchi. Eu nunca tive, mas me dava um prazer enorme pegar o bicho virtual da minha irmã escondido e empanturrá-lo de sorvete até que explodisse. Naquela época poucas coisas davam mais prazer do que matar um Tamagotchi, hoje em dia eu descobri mais algumas.

16 - Comandos em Ação

Este aqui era outra febre da infância, me lembro até que existiam irmandades (clubinhos) que juntavam suas coleções dos Comandos em Ação. E eram caros estes bonecos.

15 - Bat-Beg

Eu era fascinado por este singelo brinquedo, não só pelo desafio de conseguir fazer com que as duas bolas se tocassem harmonicamente, mas pela aporrinhação que o seu barulho constante causava nos outros. Para brincar com o Bat-beg o moleque tinha que ser um tanto quanto masoquista, porque era inevitável levar, de vez em quando, uma bolada violenta nas articulações dos dedos ou onde doesse mais.

14 - Burrinho de Madeira

O nome oficial desse brinquedo não é bem esse aí, até porque existiam outros bichos além do Burro, na verdade eu não tenho a mínima idéia do seu nome oficial. Enfim, a questão é que o animal fica em cima de um bloco de madeira e tinha um engenhoso sistema que fazia com que ele flexionasse todas as suas articulações, e é isso.

13 - Tazzo

Também teve a época dos Tazzos, que nada mais eram que discos com desenhos. Se eu não me engano eles vinham nos salgadinhos da elma chips. Depois de um tempo apareceu o porta Tazzo, o vira Tazzo e o lança Tazzo. Era Tazzo para todos os gostos.

12 - Power Rangers Vira a Cabeça

Pegando carona na febre dos Power Rangers, foram inventados muitos brinquedos homenageando os heróis, mas um em específico ficou guardado em minha memória: o boneco que virava a cabeça. Me lembro como o mecanismo era moderno, era só abaixar uma pequena alavanca para morfar o Ranger, e a mesma alavanca o desmorfava (certamente essa palavra não existe).

11 - Aquaplay

Existiam inúmeros brinquedos com a mesma idéia do Aquaplay, alguns com argolas, outros com bolas de basquete e esse da imagem acima com o mote futebol. A verdade é que todas eram bem legais, um grande desafio para a destreza humana.

10 - Geloucos

Não vou mentir, eu colecionava Geloucos. Funcionava assim, você juntava duas mil tampas de garrafa de Coca-Cola mais R$2,50 e trocava por dois Geloucos. O pior era quando vinham repetidos, e era pior ainda quando o Gelouco era o repetido de todo mundo. Era bravo, tinham alguns Geloucos que todos tinham de balde, em contrapartida existiam os raros também. Eu nunca completei a coleção, até porque meu irmãozinho engolia alguns de vez enquando.

9 - Pogobol

Uma das coisas mais difíceis da face da terra era se equilibrar sobre um Pogobol. Eu nunca consegui, por isso preferia ficar chutando-o.

8 - Bilboquê

Simples, porém divertido. Esta é uma ótima definição para o Bilboquê. Era difícil acertar no começo, depois ia ficando mais fácil e até dava para começar fazer graça. Teve uma época que meu pai inventou de tentar revender Bilboquês, eram dezenas deles espalhados pela casa. Na cabeça do meu pai isso iria nos tirar da lama, não tirou, no máximo fez com que eu ficasse craque no brinquedo.

7 - Fazendinha

Acho que todo mundo já ganhou uma fazendinha de presente, com certeza era o brinquedo mais barato que existia. Me lembro que dava para comprar uns conjuntos (como o da imagem) com muitos bois e cavalos por menos de dois reais, ou 1,99 como queiram.

6 - Vai e Vem

Ele ia e vinha, ia e vinha, ia e vinha e era isso. Mas a criançada gostava, era emocionante ver a Física aplicada ao entretenimento infantil. E ia e vinha, ia e vinha...

5 - Forte Apache

Outro grande sucesso da minha infância era o Forte Apache. E a garotada se divertia simulando uma guerra entre índios e americanos. E não importava quantos índios se tinha, a pólvora esgotava qualquer possibilidade de vitória apache.

4 - Pega-peixe

Esse brinquedo representava a modernidade em prol do divertimento infantil. Era fantástico ver aquele abre e fecha de bocas acontecendo mediante o acionamento de um botão. Claro que depois de um tempo você se cansava da pescaria tradicional e começa a tirar os peixes de outras formas, até no tapa.

3 - Ioiô da Coca-Cola

Não era um mero Ioiô, era da Coca-Cola, era também o meu sonho de consumo. E era bem a época que alguns programas de TV levavam uns loucos fazendo malabarismos com o Ioiô. Me lembro de alguns truques, a Torre Einfeil o cachorrinho passeando por exemplo, mas nunca consegui repeti-los. Até hoje quando eu avisto um Ioiô bate aquela saudade.

2 - Mola Maluca

Eu tinha muita raiva do comercial da Mola Maluca, simplesmente pelo fato de eu nunca conseguir repetir o truque da mola descendo as escadas. Era óbvio que com o passar do tempo a Mola se transformava em uma arma, e atirá-la nos irmãos menores era quase obrigação.

1 - Pirocóptero

E o brinquedo que melhor representa a minha infância é o Pirocóptero. A ideia por trás do brinquedo é genial, imaginem a perspicácia que tiveram ao conciliar a doçura do pirulito com a diversão do helicóptero, fantástico. Claro que tinha o fator humano envolvido, afinal de contas nossas mãos eram as propulsoras do brinquedo, e isso só o tornava mais genial. Ás vezes eu comprava o pirulito pegava o palito e jogava fora o resto. O cara que inventou o Pirocóptero merecia um Nobel de Física, no mínimo.

Aguardo outras reminiscência da infância nos comentários.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Radioleiga (Semana 3)

Esta semana a Radioleiga apresenta uma playlist para lá de especial, afinal de contas ela está homenageando o post que tem a maior quantidade acessos da história do Blog: Top 10 Músicas de Duplo Sentido. É um deleite para os ouvidos. eheheh
Ainda esta semana começa a mais nova minissérie do Blog: Reminiscências da Infância, vocês não perdem por esperar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Radioleiga (Semana 2)

E não é que a Radioleiga sobreviveu a sua primeira semana de existência, e o pior, a playlist da "semana 2" já está no ar.
Mais uma vez temos uma reunião de grandes sucessos brasileiros, o tema dessa semana é o post "Top 10 piores versões em português", publicado em 31/08/2010.
Boa sorte aos que tentarem ouvir toda a playlist. 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Radioleiga (Semana 1)

Está aí a Radioleiga entrando de fato no ar. Nesta primeira semana temos uma ótima seleção feita a partir do post "Sertanejo Amargurado: Top 10" publicado em 12 de agosto do ano passado.
Garanto que só tem música amargurada nessa playlist, é para quem tem coragem.
Deixe seu comentário a respeito das canções.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

RADIOLEIGA

É com imensa alegria que apresento a todos os leitores do Blog a primeira (e provavelmente a única) rádio oficial do De Leigo Para Leigo: a Radioleiga.
Além de muita música boa, a Radioleiga também trará várias canções já comentadas no blog. Vale a pena ficar ligado e conferir a playlist da semana.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

MEMÓRIAS DE UM ESTUDANTE DE MENTIRA (6)

A noite de Poa na visão do Man

É possível definir o Man como um ser noturno, assim como a coruja, por exemplo, ele usa a noite para caçar, se alimentando de pequenos ou grandes mamíferos do sexo feminino, que aceitavam essa condição alimentar em troca de doguinhos (mini cachorro-quente) e vale transporte. Confesso a vocês que não me recordo de vê-lo dormindo antes das 4h da madrugada. Para o Man o dia servia apenas para fazer o seu sono reparador e fingir que procurava emprego. Sobre essa parte dos empregos falarei em outra oportunidade, pois, sem dúvida, merece um tratamento mais substancial.
Muitas pessoas acham que conhecem a noite de Porto Alegre, mas poucos podem falar com tanta propriedade quanto o Man. Em seus áureos tempos ele freqüentou as baladas mais elegantes de Poa, claro que isso não teve a duração desejada e as dificuldades monetárias fizeram-no procurar entretenimento nos inferninhos do centro, que além de mais baratos eram bem mais divertidos.
Antes de contar as histórias é fundamental definir esses locais tão difamados, os inferninhos. A maioria das definições que eu vi enquadram os inferninhos como prostíbulos, eu tendo a discordar. Para mim os inferninhos são: pequenas boates classe D freqüentadas por um grupo específico de pessoas (em sua maioria desprovidas de beleza), que cobram taxas ínfimas de entrada (geralmente dão cerveja como brinde), em sua maioria não possuem saída de emergência visível, tem um estilo musical peculiar (tchê music e funk) e onde as freqüentadoras não estão buscando nenhum tipo de relação financeira em troca de sexo (fazem só por doguinhos e VTs). Resumindo: neste texto o termo inferninho não é sinônimo de “casa da luz vermelha” e sim de “latrina do inferno”, como o Man mesmo costuma dizer.
Então, o Man tem inúmeras histórias dos inferninhos, só que muitas ninguém presenciou, até porque ele só conseguiu me convencer de acompanhá-lo três vezes a esses inferninhos. Pode ter sido mais vezes, ou menos, quem sabe?
Todas as vezes foram muito engraçadas, porém uma delas ficou marcada para sempre em minha memória, a ida ao Bianchini (não encontrei informações sobre o local em nenhum guia da Internet). Para melhor compreensão sobre o local, contarei três histórias que só poderiam acontecer neste antro:
  • O segurança: o Man conta que certa vez ao chegar no Bianchini viu o seu amigo segurança com o braço engessado, tomado de certa compaixão o Man perguntou “O que aconteceu com o braço guerreiro” e para sua surpresa o segurança respondeu mostrando uma barra de ferro escondida sob o gesso “nada não”;
  • A moça sentada: em outra ocasião o Man visualizou a mulher mais feia do recinto (um páreo duro) e resolveu tirá-la para dançar, ao se aproximar da moça ele fez o gesto que indicava suas intenções esperando que ela se levantasse para iniciarem o bailado, e nesse momento então, para sua total incredulidade, ele percebe que a moça já se encontrava em pé;
  • O maior dos anões (essa eu presenciei): estava observando as pessoas do local, e suas relações, quando percebo que no mezanino se encontrava um ser humano de estatura inferior, um anão por assim dizer, que parecia ser o dono do lugar. Ele chamava as mulheres e oferecia, sem cerimônia, petiscos e bebidas, quase sempre o anão era cumprimentado com selinhos e estava abraçodo com mais de uma mulher (de estatura padrão, diga-se de passagem). O anão era o “cara mais grandão” do recinto, mandava prender e soltar. Mas como todos sabem a vida é uma roda gigante, e não é que no outro dia o nosso querido amigo “Mister Miner” encontra o mesmo anão em uma parada de ônibus pedindo aos transeuntes auxílio para adquirir um vale transporte. Essa situação me fez lembrar do velho ditado, “Em terra de anão, quem tem VT volta pra casa”.

Um outro caso engraçado (trágico também) ocorrido com o Man se passou no inferninho “Encontros”. Este é provavelmente o pior lugar que eu pisei em minha vida, a sorte é que quando eu fui lá estava acompanhado do Man (sorte, entenderam?). Mas a história trágica do Man ocorreu em uma noite sem a minha presença. Vamos aos fatos. Pelo que consta o Man estava em mais uma de suas incursões a latrina do inferno quando um dos vários espíritos sem luz do local cedeu aos seus encantos, o Man achou estranho o fato de não precisar embebedar a moça ou levá-la para comer um dog, mas aceitou o convite para saírem dali e irem para um lugar mais reservado. Aos beijos eles saíram do “Encontros” para um outro tipo de encontro (desculpem o péssimo trocadilho). Enquanto caminhavam pelas seguras ruas da capital gaúcha, o Man percebeu que o trajeto proposto pela moça levava a praça da Alfândega (que é provavelmente o pior lugar para estar em qualquer situação). Como o Man é vacinado e não tem medo de nada, imaginou que as escuras moitas da praça poderiam servir de alcova para seus fetiches mais sórdidos. Mas como já é de senso comum, “quando a esmola é demais o Santo desconfia”, e nesse caso além de desconfiar o Santo aprontou uma para o Man. Chegando à praça o Man não percebe a presença de um terceiro elemento e em uma fração de segundo ele é surpreendido por um assaltante, ser assaltado em Porto Alegre não é incomum, mas o que deixa o Man abismado é o fato de sua companheira ter o deixado e se posicionado ao lado do assaltante. É isso mesmo que você está pensando, o nosso herói foi vítima de uma vil arapuca planejada por uma quadrilha (casal) de assalto a bêbados excitados. Mas existiam duas coisas que essa meticulosa quadrilha não previa, primeira: o Man além de bêbado excitado também é um dos caras mais pobres da noite porto alegrense e segundo: existiam policiais próximos ao ato do crime. E esses policiais chegaram descendo o cassete e como na noite ninguém é santo o Man acabou levando algumas bordoadas mesmo sendo inocente (em ambos os sentidos).
As histórias do Man não param por aqui, fiquem ligados que a qualquer momento tem mais.

Enquete sobre o Man: Resultados.

E chega ao final mais uma fundamental enquete do Blog De Leigo Para Leigo. Com o recorde de votos até agora (o fato de eu ter permitido votar em mais de uma alternativa dessa vez colaborou para isso) e com a expressiva votação na opção "direto para mais um capítulo da série Memórias ..."  é possível dizer que o Man é o personagem mais querido da série.
E para satisfação da esmagadora maioria, eu mandei o Man para mais um capítulo das Memórias de um Estudante de Mentira (ver próximo post).
Aguardem novas enquetes.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

CINEMA: O NOCAUTE DE JERRY (2007)

Voltando aos posts após a ressaca, em virtude da festa em comemoração aos 10.000 acessos do blog. Para quem não sabe foi feita uma grande festa com boa música, decorada com muitas obras de arte, com filmes de qualidade e bebida liberada, tudo em um plano imaginário é claro.
Falando em cinema de qualidade, assisti uma ótima comédia ontem e não poderia deixar de compartilhar. Ver boas comédias está tão difícil ultimamente que quando isso ocorre não se pode guardar para si. Enfim, o título do filme é “O Nocaute de Jerry”, uma brilhante tradução de “The Hammer”, ele foi lançado em 2007, mas como era uma produção alternativa não chegou aos cinemas do Brasil.
Encontrei o trailer no youtube:
Como dá para perceber no trailer o filme não apresenta atores consagrados do humor americano. O que eu descobri na Internet é que o ator principal (Adam Carolla) é famoso nos EUA por uns programas de rádio que ele apresenta. Enfim, o filme é alheio aos padrões estadunidense de comédia, ainda bem.
Eu só me animei a assistir o filme quando ouvi a primeira frase dita pelo ator principal. Vou tentar reproduzi-la, de forma não literal “Nós devemos acreditar nos nossos sonhos. Agora se você tem 45 anos e tem o sonho de ser uma líder de torcida, esqueça. Mas se o seu sonho é ser atendente de call center, você pode sonhá-lo até um ano depois da morte”. Se o texto não é exatamente este, a idéia é esta mesma.
Breve Sinopse: Jerry é um ex-boxeador, carpinteiro e professor de boxe para pessoas comuns. Ele tem um grande amigo chamado Ozzi, um nicaragüense que vive ilegalmente nos EUA. Ozzi é com certeza o personagem mais engraçado do filme. Após perder o emprego em uma construção civil, Jerry consegue mais uma chance para ser boxeador, detalhe: Jerry tem 40 anos, recém completados. Nisso ele se apaixona por uma aluna, que é defensora pública que pratica boxe pq foi alvejada por uma bola de papel.
Li em uma critica que Jerry seria um Rock Balboa às avessas, o que é uma boa definição para ele. Se você quer dar boas risadas esse aqui é o filme indicado, só não sei se é muito fácil achá-lo em locadoras. Vi que dá para baixar na Internet, então essa seria a melhor forma de encontrá-lo.

Se alguém já teve a oportunidade de ver esta grande comédia, deixe seu comentário.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

10.000 VISUALIZAÇÕES: MUITO OBRIGADO

Neste exato momento o blog De Leigo Para Leigo atinge a expressiva marca de 10.000 visualizações. É um acontecimento nunca dantes visto na história de blogs com opiniões leigas, mas limpinhas.
Infelizmente não poderei comemorar essa marca do modo que o amigo Cássio sugeriu em um comentário, festa com bebida liberada além das imensuráveis despesas, também potencializa o acontecimento de grandes merdas, ainda mais se o lendário Man estiver presente. Nada de bebida liberada.
Prometo que tentarei escrever mais constantemente. Aviso que ainda teremos muitos capítulos das Memórias, tantos outros Top 10 e mais alguma coisa nova (mandem sugestões).
Para encerrar esse post/depoimento emocionado gostaria de deixar um “muito obrigado” a todos os leitores e tendo em vista a heterogeneidade destes, farei isso de diversas formas e em diversas línguas:

Muito Obrigado em Esperanto: (Treegan) dankon



Muito Obrigado em Hebraico: תודה



Muito obrigado em Africâner: Dankie



Muito Obrigado em Chinês (simplificado): 谢谢



Muito Obrigado em Chinês (tradicional): 謝謝



Muito Obrigado em Yiddish: דאַנק

Muito Obrigado em Wingdings 2: Muito Obrigado

Obrigado em Libras:

Muito Obrigado para deficientes visuais (acessibilidade):
MUITO OBRIGADO



Muito Obrigado para Daltônicos:
MUITO OBRIGADO

Muito Obrigado na Língua do P: Puito Prigado.

Obrigado em Código Morse:


— — — , — • • •,  • — •,  • •,  — — •,  • —,  — • •,  — — —.

Obrigado em Braile:
Para quem não entendeu ainda: MUITO OBRIGADO a todos os leitores que  incentivam, apóiam e ajudam na construção desse blog. Quem sabe a festa com bebida liberada não saia quando atingirmos as 100.000 visualizações, quem sabe?

quinta-feira, 31 de março de 2011

MEMÓRIAS DE UM ESTUDANTE DE MENTIRA (5)

A Janela da Xenofobia

Este caso específico não contou com a produção intelectual do Man, porém ele deu a sua parcela de contribuição, valiosa contribuição.
Eu não me recordo muito bem quem teve a idéia do que contarei a seguir, existe a possibilidade de ela ter sido minha, o que não me orgulha nem um pouco. Se alguém lembrar o autor dessa m. escreva nos comentários.
Mas no que consistia a Janela da Xenofobia (nome recém inventado)? É bem simples: no momento em que ocorria um gol em algum jogo televisionado, todos os Mans iam para janela e ofendiam aos gritos os argentinos intercâmbistas.
Essas ofensas não eram justificadas, haja vista que os argentinos que ficavam na CEU em razão de intercâmbio não eram chatos, não incomodavam ninguém e tampouco eram alvos de brigas. A prática só existia porque era engraçada, para nós pelo menos.
Para melhor compreensão dos fatos darei um exemplo. Digamos que era noite de clássico, Veranópolis (o pentacolor da serra) x Farroupilha (o fantasma de Pelotas), logo quando uma das equipes marcasse o seu gol, todos que estavam no quarto assistindo a partida corriam para janela e começavam a gritar coisas do tipo: argentino FDP e chupa argentino. Depois de um tempo começamos a perceber que moradores de outros andares entraram na onda e também se encaminhavam para as suas janelas visando ofender os hermanos.
Em uma dessas efusivas comemorações eu cheguei até a quebrar a minha cama. Tudo aconteceu quando o meu tricolor fez um gol importante, talvez até um que valesse o título, e tomado de pura emoção me atirei em minha cama (que ficava sob a janela) e xinguei como nunca os argentinos, não deu outra, o impacto dos meus joelhos com a frágil estrutura de madeira causou automaticamente uma fratura exposta do estrado da cama. Depois de inúmeros e infrutíferos consertos, decidi que não dava mais e passei a dormir em um colchão no chão, por incríveis 6 meses, argentinos desgraçados.
Em um determinado momento a brincadeira de xingar os argentinos foi perdendo força e deu lugar a uma manifestação menos agressiva: o manifesto ao abraço (nome também recém inventado). Ao acontecer algum gol na rodada nós íamos para janela e mandávamos abraços, principalmente para torcedores de times menos famosos ou para países inóspitos. Para ilustrar: acontecia um gol e lá estávamos nós: alô torcida do ASA de Arapiraca, aquele abraço; alô torcida do XV de Jaú, aquele abraço; alô população de Botswana, aquele abraço e assim por diante.
O mais interessante nessas manifestações na janela era que elas aconteciam a todo o momento e em qualquer jogo. Poderia estar passando um jogo que não tivesse nada haver com a situação ou que não valesse nada que nós estávamos na janela, xingando argentinos ou mandando nossos efusivos abraços.

“AMCEU é tu”

Definição operacional de termos:
  • AMCEU: Associação dos Moradores da Casa do Estudante Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
  • Presidente da AMCEU: morador que independente do horário recebe visitas em seu quarto com demandas para serem resolvidas. Rapaz extremamente introvertido com nariz avantajado.
  • Tesoureiro: universitário com problemas até para resolver as adições mais elementares que se candidatou ao cargo por ter feito uma cadeira de matemática financeira no curso técnico em Transações Imobiliárias, nesse caso EU.
  • Vice-presidente: estudante chapada com as idéias mais estapafúrdias como correr pelados de mãos dadas pelos corredores, e o pior, ela falava sério. 
  • Secretário-geral: sujeito lunático, extremamente perturbado, que há anos ficou preso há cadeiras do primeiro semestre, contestador por natureza (até tentou desmascarar Einstein, sobre uma teoriazinha da relatividade), adepto de atos noturnos (jogar basquete em um dos parques mais perigosos de Porto Alegre), resumindo: um universitário comum.
  • Colaboradores: alguns poucos amigos que não queriam a responsabilidade de assumir um cargo, mas que também não queriam perder a palhaçada que eram as reuniões da AMCEU.
    Era mais ou menos assim que a AMCEU era constituída. Pessoas com as mais diversas perturbações em prol do bem comum de uma moradia estudantil onde residiam em torno de 400 estudantes universitários.
    Quando nos candidatamos para a associação nós sabíamos que seriamos a única chapa, só o que não sabíamos era que a chapa deveria ter um nome. A priori pensamos em nomes comuns e alguns engraçados como “Chapa o Coco”. Diante da falta total de criatividade tive que agir, usando toda a minha sagacidade e perspicácia fiz a minha maior cagada mental e criei o seguinte nome “CHAPA-OLIN”. Não parece brilhante? O nome foi aceito imediatamente, sucesso de público e crítica. Só tinha um problema, para que ele pudesse ser oficial ele tinha que significar alguma coisa, só a piada em si não garantia o seu sucesso. Como foi difícil definir o que significariam essas letras. Não lembro exatamente, mas deve ter sido algo do tipo ”Organização para a Libertação de Ideias Novas” ou “Organização de Limpeza de Imundices Nórdicas”, não me lembro mesmo. 
    Foram muitas as passagens engraçadas da AMCEU, vou tentar lembrar de algumas.
    As reuniões ficaram marcadas para os anais da CEU, elas ocorriam todas as segundas-feiras a partir das 22 horas. Me lembro de uma em que estávamos falando sobre um espaço ocioso no nono andar, todos deram idéias a respeito de como ocupá-lo e o nosso secretário geral resolveu se calar, ficando totalmente circunspeto em seu canto. A reunião seguiu com outras discussões, e não é que um bom tempo depois, 1 hora e meia mais ou menos, o nosso secretário levanta o dedo e mostra uma planta baixa do nono andar (que ele acabara de rabiscar), em seu desenho continha um avançado projeto para revitalização daquele espaço, só que o que ele desenhou tão minuciosamente não representava nenhum das ideias dada na discussão anterior, o cara simplesmente se mandou para um universo paralelo e lá ficou até chegar ao desenho final, que em sua cabeça solucionava todos os problemas do mundo. Obviamente aquela manifestação foi minimizada pelos demais, e o que se viu foram disfarçados risos.
    Para se ter ideia da paranóia delirante que afetava o nosso secretário, uma vez ele precisava avisar o presidente da AMCEU sobre uma reunião emergencial que teríamos, para transmitir sua mensagem ele a colocou em um bilhete e foi até o quarto do nosso excelentíssimo. Chegando lá ao invés de deixar o bilhete e sair, ele bateu na porta e ao ser atendido entregou o bilhete em mãos para o presidente que naturalmente perguntou do que se tratava, ele simplesmente disse “leia o bilhete”, que dizia “reunião ás xx horas”. Ele era tão lunático que para não ter sido em vão o bilhete, fez com que este fosse lido.
    Outro elemento que não faltava nas nossas reuniões era a poderosa frase criada pelo nosso excelentíssimo presidente: “AMCEU é tu”. Essa era a frase mais apropriada para as pessoas que vinham pedir coisas que elas mesmas poderiam fazer. Por exemplo: chegava um representante de andar pedindo que a AMCEU retirasse um sofá do hall do andar, automaticamente o nosso presidente dizia a famigerada frase mostrando que não precisa ser oficialmente da associação para fazer alguma coisa pela casa. Obviamente com o passar do tempo a frase se tornou resposta para tudo (com certo deboche), qualquer que era o problema tava lá a resposta “AMCEU é tu” e assim foi ao longo daquele interminável ano de gestão.
    Teve também o torneio de Futsal que organizamos. Desse eu tenho boas e más recordações. O torneio foi feito com sérias restrições orçamentárias, tanto que eu tive que organizá-lo e arbitrá-lo, também fui atacante de um dos times. Você pode estar se perguntando se o fato de eu ter sido arbitro, organizador e atleta trouxe alguma vantagem ao meu time, eu te respondo que mesmo se tivéssemos todas as vantagens do mundo ainda teríamos perdido todos os jogos. Meu papel como jogador foi pífio, mas como arbitro não foi muito melhor. Eu consegui expulsar o cara mais chato da CEU (ponto pra mim), mas consegui criar diversas inimizades com um time feminino, o que gerou inúmeras ameaças. As meninas ficaram transtornadas com a não marcação de alguns gols contra de uma goleira, que colocava a bola dentro do gol sempre que ia fazer uma reposição, e me juraram de morte. Outro acontecimento memorável foi o lanche que a AMCEU disponibilizou para os atletas, era: pão com presunto e queijo, banana e refrigerante Bonanza sabor tutti-frutti (talvez o pior refrigerante já fabricado no Brasil). No final deu tudo certo, apesar de eu ter que ficar duas semanas sem aparecer nos corredores da CEU. 
    Balanço final: o balanço final do caixa foi de superávit, algo em torno de 120 reais, se eu não errei as contas. Para a CEU foi muito bom, tendo em vista que até Internet nos quartos nós conseguimos conquistar na nossa gestão. Pra nós foi uma experiência pouco produtiva mais muito engraçada.

    quarta-feira, 23 de março de 2011

    Outra enquete

    A partir de hoje tem uma nova enquete no blog: "Para onde você mandaria o Man (personagem principal da série Memórias de um Estudante de Mentira)?"
    Para quem não sabe ainda, a enquete fica no canto superior esquerdo do Blog.
    Aproveito para comentar os resultados da enquete anterior: "Qual das categorias do blog é a mais interessante?"
    A categoria que recebeu mais votos foi Memórias de Um estudante de Mentira com 9, logo em seguida vieram Música (3), Cinema (2) e Literatura (1). A opção Artes não foi votada, o que reforça a idéia de que eu não devo escrever mais nada a respeito dela. Sendo assim, o blog vai dar um tempo, digamos assim, para posts sobre Arte, Dali agradece.

    Agradeço a todos que votam nas enquetes, imagino que estes entendam de verdade a importância desse ato.


    quinta-feira, 17 de março de 2011

    MÚSICA: TOP 10 BANDAS NACIONAIS DE UMA MUSICA SÓ!

    “Se eu te dou minha pamonha tu me dá o teu cural?” (Trecho de Funk da Pamonha, interpretado por Rodney Dy).

    Com essa ode ao escambo dou início a mais um top 10: Bandas Nacionais de Uma Música Só.
    Fazer a lista de bandas de uma música só não é necessariamente original, porém a maioria das listas que vemos por aí (na MTV por exemplo) incluem ou são dominadas por bandas internacionais. Está é bem peculiar, pois elenca somente valores da nossa terra, nem tão valorosos assim.
    Para estabelecer as posições do top usei 2 critérios como parâmetro: quanto a música fez sucesso e quanto a banda conseguiu emplacar outra música nas paradas. Ou seja, o fato da música ter feito muito sucesso e da banda nunca mais ter emplacado outro sucesso no cenário musical brasileiro, posiciona-a na lista. Cá entre nós, não são bons critérios, tampouco justos, mas e daí?
    Para tornar a lista ainda mais (in)útil criei outro indicativo: status atual da banda. E são quatro os status possíveis:

    1. faz poucos shows por ano, em cidades minúsculas, para público irrisórios, ganhando um cachê de fome e são obrigados a tocar o seu grande sucesso algumas centenas de vezes;
    2. virou banda de baile;
    3. tocam somente em confraternizações familiares ou aniversários de amigos próximos, a troco de comida e cerveja;
    4. ostracismo total
    Sem mais delongas vamos ao TOP 10 BANDAS OU CANTORES NACIONAIS DE 1 MUSICA SÓ!

    10 - P.O. Box - Papo de Jacaré
    Status Atual: 1
    Os mais preciosistas dirão que é injusto o P.O.Box estar nessa lista, pois também tiveram outro sucesso, “Não To entendendo”.
    Como as duas músicas são péssimas resolvi somá-las, o resultado deu quase uma.

    9 - Akundum – Emaconhada (Erva Danada)
    Status Atual: 4
    E alguém lembrava que era a banda Akundum que cantava esse grande sucesso? Não, nem eu.
    Uma coisa interessante que percebi fazendo essa lista é que no Brasil músicas de baixa qualidade fazem muito sucesso. Reparem nesse trecho da letra dessa canção: “Que que eu faço seu dotor?/Que que eu faço seu dotor?/ Essa menina tá cheirando erva danada./- Isso não se cheira pai, isso fuma”. Sem mais.


    8 - Dogão - Dogão é Mau
    Status Atual: X (o pior é que tudo não passava de um desenho)
    O pior era o Mano Cabuloso, que era meio gago ainda. E nunca mais se ouviu falar do Dogão, que descanse em paz, afinal deve existir Céu pra cachorro.


    7 - Dallas Company – Clima de Rodeio
    Status Atual: 2
    E essa é outra música besta que fez sucesso, e como tocou nas rádios e TV. E o refrão é bem pegajoso, quem não se lembra “Alô galera de cowboy. Alô galera de peão. Quem gosta de rodeio bate forte com a mão”. Que saudade do sertanejo de raiz.


    6 - O Surto - A Cera
    Status Atual: 1
    Das bandas e músicas dessa lista essa a que eu acho menos ruim. Não que os excertos “Dessa historia de pirar meu cabeção” e “E o piercing dela refletia a luz do sol“ sejam de grande valor poético. 
    O Surto até conseguiu mais algum sucesso, pequeno é verdade, com a música “Tudo é Possível”, mas não foi suficiente para tirar a banda desse top.


    5 - Virgulóides – Bagulho no Bumba
    Status Atual: 3
    E foi na onda dos Mamonas Assassinas que os Virgulóides conseguiram emplacar essa m... nas paradas de sucesso brasileiras. E sabe o que é pior, a música não é engraçada, o clipe não é engraçado e os caras também não tem graça nenhuma. E foi por isso que os Virgulóides se transformaram em ponto final.
    “É, é, é, eu acho que o bagulho é de quem ta de pé.”


    4 - Rodney Dy – Funk da Pamonha
    Status Atual: 3
    Não duvido que alguém dirá que a música “Espetinho de Guria” também fez sucesso, e que além dessas o Rodney Dy compôs “O Carro dos Churros”, “Funk do Minhocão” e “O Emo Corre”. 
    O importante é que o porto-alegrense Rodney Dy morreu, pelo menos nas paradas de sucesso. E a quem diga que nem nasceu.


    3 – Bragaboys – A Bomba
    Status Atual: 4
    E já foi mais metade da lista e não tem nenhuma música de qualidade, e a tendência é permanecer assim, reforçando a idéia que para fazer sucesso no Brasil não precisa de muito, por essas e outras que eu continuo acreditando no sucesso do MC Phudy. Para quem não se lembra link abaixo:
    E dá-lhe ostracismo!


    2 - Cogumelo Plutão – Esperando na Janela
    Status Atual: 1
    Ta ai uma banda que sintetiza bem essa lista, o Cogumelo Plutão. A música em questão estourou nas paradas brasileiras, tocou demais nas rádios, e a banda se apresentou não sei quantas vezes na TV. Mas e depois? Nunca mais conseguiram sucesso. É a típica banda que enquanto existir vai ter que tocar “você é a escada da minha subida...”.


    1 - Kaoma – Chorando se Foi
    Status atual: 2
    Quando ouvimos falar da banda Kaoma logo nos vem à cabeça essa música, e como não lembrar do seu refrão mega pegajoso “Chorando se foi quem um dia só me fez chorar”. Eu até tentei encontrar um outro sucesso da banda, mas nada, é só isso aqui mesmo “A recordação vai estar com ele aonde for”. Para se ter idéia do sucesso dessa música recorri ao Wikipédia e olha o que eu encontrei lá “A canção atingiu o primeiro lugar nas paradas da Áustria, do Brasil, da França, da Noruega, da Suécia e da Suíça quase que simultaneamente”. É possível dizer que o Kaoma chorando se foi para nunca mais voltar, com os bolsos cheios pelo menos.
    Para saber mais veja o filme “Lambada a dança proibida”, presente nas melhores e piores locadores de sua cidade.

    Você sabe de mais alguma banda de uma música só? Escreva nos comentários.