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sexta-feira, 5 de maio de 2017

MEMÓRIAS DE UM ESTUDANTE DE MENTIRA (9)


Aviso: Todos os nomes desse texto foram ocultados por razões óbvias. Quem viveu sabe. Boa leitura.


O Grande Encontro

Contexto: BM, aluno de determinado curso na área de exatas, mantinha casamento à distância com A, aluna de um curso de humanas do interior do estado. BM morava em um quarto da CEU (Casa do Estudante Universitário), com IGO, aluno de ciências da informação (se faz aqui uma necessária reflexão sobre a definição de ciências). Por um acaso do destino, IGO começa a se engraçar com XTA, aluna da área de saúde, que é amiga de X9, sua colega de curso e moradora da CEU. Para IGO e XTA estreitarem relações, X9 cede seus aposentos e vai “fazer hora” no quarto de BM, o que obviamente se torna uma relação extraconjugal.
Teoricamente tudo vai bem para BM.
Porém, certo dia A decide visitar seu cônjuge na capital de todos os gaúchos. Existe uma regra tácita na CEU que determina que quando o seu colega de quanto vai “se dar bem” você deve se ausentar pelo tempo que for preciso, e foi justamente isso que IGO fez, encontrou outro quarto para passar a noite. O combinado era que IGO receberia A e faria sala para a mesma até as 23h, horário que BM normalmente retornava de sua labuta diária, depois se ausentaria até a manhã do dia seguinte.
A chega pontualmente as 18h e após cumprimentos amistosos põe-se a dialogar com IGO. Entre amenidades e reminiscências ambos ouvem batidas na porta. IGO com sua habitual hospitalidade berra “entra porra” e para seu grande espanto X9 irrompe-se no quarto.
Diante de visita inesperada, e sabendo da situação, IGO começa a suar frio.
X9 se apresenta carinhosamente à A que retribui sem suspeitar que têm diante de si sua concorrente.
IGO tá achando tudo muito perigoso, e esse sentimento só piora ao ouvir X9 convidar A para dar um passeio pela cidade. Nesse momento, quase em desespero IGO argumenta:
– Mas A, o BM está quase chegando – desconsiderando o fato de ainda serem 20h.
Diante da inocuidade do argumento, IGO insiste. ­– Acho que o BM não vai gostar nada disso.
Mas já era tarde demais. A ingenuidade de A somada à vilania de X9 culminaram em um passeio perigoso pela noite porto alegrense.
Ainda em estado de choque, IGO não sabe se torce para que BM cheque primeiro, para que A volte antes ou se compra uma bicicleta.
Quando o relógio dá sua décima primeira badalada, BM chega animado do trabalho e ao ver as malas de sua amada no quarto, interroga IGO ­– Onde está A?
BM senta aí, tenho que te contar uma coisa ­– diz cuidadosamente.
Após ouvir detalhadamente todo o ocorrido, BM sai desesperadamente, rumo ao desconhecido, pois nem ele nem IGO têm a menor ideia de onde as “novas melhores amigas” foram.
IGO também sai do quarto, e fica vagando pelos andares da CEU, até as 3h da manhã, quando decide verificar como está a situação. Para sua surpresa encontra BM sentado em posição fetal no corredor em frente ao quarto e A terminando de arrumar as malas. Tomado de intensa coragem e intenções pacificadoras, IGO decide ir embora dali o mais rápido possível.
Mas o que teria dito X9 à A durante o passeio? Ela só disse tudo. Que além de ter um caso com BM se apaixonara perdidamente por ele e não bastando isso, teria dito também para A que faria de tudo para tirar-lhe o seu homem.
Após a, inevitável, imediata separação, BM e A reconciliaram-se e viveram felizes para sempre. Se definirmos “sempre” como: até o momento que tiveram um processo de separação litigiosa para o qual IGO foi convocado a depor.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

MEMÓRIAS DE UM ESTUDANTE DE MENTIRA (8)

O quarto do quarto

Durante a minha longa jornada na CEU (Casa do Estudante Universitário) a maioria do tempo residi em quartos localizados no 7º andar, porém devido a uma desinteligência familiar (adoro esse termo) tive que passar uns meses morando no 4º andar, e foram meses profícuos em matéria de histórias.
Foi no 413 e arredores onde tudo aconteceu, se tudo fosse só isso é claro. Para começar nada melhor do que falar sobre meus companheiros de quarto, pois é, ao invés de dois, nós morávamos em três. Esse fato era inédito na CEU, nunca antes na história daquele local três moradores oficiais dividiram o mesmo alojamento. Cá entre nós, isso era uma completa idiotice, dividir 6m/2 ao meio já era um absurdo, em três era insanidade. No 413 nós tínhamos a mesma densidade demográfica do Bangu I no Rio.
Nesse cubículo moravam o Black Man, o MAN e eu (Pac-Man prós íntimos). É isso ai mesmo, eu morei com a lenda, o mito, o indecifrável, o inelegível, o MAN (figurinha carimbada dessas memórias). Às vezes me pergunto se eu tive muito azar ou muita sorte de ter conhecido certos seres humanos, não encontro resposta. Enfim, o Black Man era, aparentemente, um cara tranquilo, sua vida sofreu drásticas transformações quando o MAN foi morar com ele, o MAN tem o poder de transformar a vida das pessoas, nem sempre pra melhor.
Para entender melhor como as coisas funcionavam no 413 é necessário descrever as coisas que co-habitavam esta “cela” conosco: tinha um triliche e uma cama (se contar bem perceberá que estávamos prontos até para receber hóspede, e recebíamos), um frigobar (produto de escambo do MAN), uma cena do crime (a figura de um corpo demarcada no chão), uma TV (supõe-se que tenha sido trazida por Cabral nas Caravelas), um Nintendo 64 (pertencente ao Mr. Miner [o quarto elemento do 413]), um rádio relógio (cuja sintonia estava estacionada na freqüência 910 AM da rádio Caiçara, onde dizem, que a música não para) e inúmeras camisinhas disponibilizadas pelo sistema único de saúde brasileiro (sua comercialização servia de complemento salarial para o MAN).
São inúmeras as memórias que tenho da época no 413, poucas ficariam imunes a processos judiciais se publicadas, sendo assim selecionei as mais leves para contar.
Existiam algumas tradições no 413, sempre quando alguém ia nos visitar era recebido com uma salva de palmas. Qualquer tipo de intervenção artística poderia e deveria ser afixada na porta, chegou a ponto de todos os moradores do andar colocarem suas “artes” em nossa porta, tínhamos desde fotos 3x4 até calcinhas beges (dentre outras coisas broxantes). A nossa porta tinha uma outra particularidade, não era possível trancá-la, isso acontecia porque depois que precisei arrombá-la (com ajuda do Miner) ela nunca mais foi a mesma.
Constantemente fazíamos festas apoteóticas que começavam no terraço e terminavam no 413. A bebida servida geralmente era vinho de garrafão, geralmente escolhíamos um tinto varietal de colheita tardia, ou seja, roxo de variedade ruim colhido tarde da noite. Tínhamos convidados rotativos, chegavam, olhavam e iam embora. Os poucos que ficavam tinham garantia de divertimento.
Após a ingestão de quantidades quase letais de álcool as coisas começavam a acontecer nas festas, o MAN tinha clara tendência naturista, arriava as calças e sai correndo (saltitando) pelo corredor do andar. O Black tinha tendência esbanjacionista, começava a atirar vinho no chão do quarto (o quarto sempre estava com perfume de uva). Eu era tomado da síndrome do Zé Graça, achava que era comediante Stand up.
A situação mais engraçada que lembro é de estar ouvindo Cúmbia (ritmo latino) no rádio, duas colombianas dançando a vera, o Black Man atirado no chão balançando a cabeça com a língua de fora e o MAN passando “embaixo da cordinha” (representada por um cabo de vassoura). Toda festa acabava bem, diferente do dia seguinte que quase sempre começava mal.
A fase mais conturbada da minha estadia no 413 foi quando o Man começou a trabalhar no Habib’s, sobre esta época é impossível não lembrar que foi quando tivemos a primeira reprovação em um teste de fezes na história do planeta, um protozoário minúsculo chamado Giárdia Lamblia fazia sua morada no intestino do MAN. Após eliminar o hospedeiro maldito e indesejado, o MAN enfim pode começar a trabalhar e foi aí que começou o meu martírio. O homem se transformou, passou a só ouvir Racionais, chegava todo dia bêbado em casa às 7h da manhã trazendo mais chopp em garrafas pet e dois colegas de trabalho para pouso (cinco pessoas dentro do quarto já era demais pra mim), além de ter adquirido um novo e incompreensível dialeto, enfim, a convivência se tornou insuportável e tive que voltar para o sétimo andar e ir morar com o Fat Man.
Os tempos de 413 foram inesquecíveis, afinal de contas ali estavam os seres com menor nível de iluminância que tive contato na vida. Ou será que a luz que irradiavam era tão forte que acabei cego para a importância daquele momento. Sinceramente eu não sei, o que eu posso afirmar é que a Caiçara têm em sua programação uma quantidade assassina de músicas do Rei Roberto Carlos.

“Você é mesmo essa mecha; De branco nos meus cabelos; Você pra mim é uma ponta; A mais dos meus pesadelos.” (Desabafo, Roberto Carlos)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

REMINISCÊNCIAS DA MINHA INFÂNCIA: TOP 17 DESENHOS

Para encerrar a minissérie Reminiscências da Minha Infância nada melhor do que recordar quais foram os 17 desenhos mais representativos da aurora da minha vida (acabei de inventar isso).
A seleção levou em consideração dois critérios básicos:

• desenhos que passaram na tv aberta entre os anos 1990 até 2002, mais ou menos;
• a ordem do top foi estipulada a partir da representatividade que cada desenho teve na minha infância, baseado em uma simples equação matemática que releva a quantidade de vezes que eu assistia o desenho, o prazer que isso proporcionava ou pela energia do Bóson de Higgs. Ou seja, um cálculo que até meu filho de um ano e meio sabe fazer.

Não farei menções honrosas pela enorme quantidade de bons desenhos que ficaram de fora da lista, seria uma lista tão grande quanto o top em si. Sem mais enrolação apresento o Top 17 Desenhos.

17 - Capitão Planeta

É possível classificar o “Capitão Planeta” como um desenho politicamente correto. Era só alguém maltratar a natureza que lá estavam os 5 jovens representando os 4 elementos mais um elemento inventado (o coração). Era interessante que eles nunca conseguiam dar conta da parada e precisavam invocar uma entidade chamada capitão planeta, só não dava para entender o porquê de não invocarem o maldito capitão antes, pouparia uns 10 min. do desenho. “Vai planeta”.

16 - Papa-léguas e Coiote

Quem não gostava de ver o coiote se estrepar nas mãos do Papa-léguas. Este desenho era extremamente violento, afinal de contas não é para qualquer um cair de um penhasco e ainda por cima levar uma bola de uma tonelada na cabeça, repetidamente. Isso sem dizer que o papa-léguas parecia gente boa e tal, mas era vingativo pra caramba, não tinha este negocio de dar a outra face, era na base do aqui se faz aqui se paga.

15 - Ursinhos Gummy

Ninguém tira da minha cabeça que existiam elementos alucinógenos e/ou anabolizantes na poção dos Ursinhos Gummy. Para mim o negócio era mais pesado que o Oxi.

14 - Perdido nas Estrelas

Pouca gente lembra deste desenho, sempre quando falo dele entre amigos, nunca ninguém lembra. Enfim, eu achava o máximo. Resumindo, era um moleque que podia realizar um desejo desde que desse três porradas em uma luva de beisebol. Obvio que os desejos tinham prós e contra, e a partir deste principio rolavam as aventuras.

13 - ThunderCats

E tem gente que queria muito ver o olho de Tandera. Piadas a parte o desenho era muito bacana e possivelmente vai ter gente que gostaria de vê-lo mais bem classificado na lista. Menção para a irritante voz do Snarf.

12 - Os caça-fantasmas

Tanto o desenho como o filme eram espetaculares. O monstro do bem “Geléia” era disparado o personagem mais legal do desenho, talvez eu ache isso pelo fato de  termos uma característica muita parecida: comer em excesso.

11 - He-man

Outro clássico de todas as manhãs. Eu gostava dos episódios que o He-man encontrava a She-ra (que tinha seu desenho próprio). E como não lembrar do semblante do medroso Pacato ao virar o valente Gato Guerreiro. Era engraçado que o dublador do vilão Esqueleto era o mesmo de vários vilões de filmes.

10 - Grump - O Feiticeiro

Este desenho era o primeiro da programação infantil das manhãs da Globo. Não sei por qual motivo ele ficou em minhas lembranças. O desenho era simples, a história de uma princesa e um moleque que tentavam chegar a um lugar e eram perseguidos por um mago que “pilotava” um dragão debochado. E era isso, mas era legal.

9 - Carmen San Diego

Confesso que não lembrava deste desenho até o levantamento para este top. E como era legal! Sempre quando estava para ser pega Carmen dava um jeito de se safar, era uma 007 do mal, digamos assim. Muito bem feito.

8 - Muppets Babies

Nem preciso falar muito dos Muppets Babies, todo mundo se lembra deste clássico. Os personagens eram muito bons, quem não se lembra da Pig, Caco, Fozzie e principalmente do Gonzo (meu favorito).

7 - Manda-chuva

Agradeço a minha esposa pela lembrança. Era uma gang de gatos, encabeçada pelo manda-chuva, que tentava tirar vantagem das pessoas que passavam no beco, só que por vezes seus planos eram descobertos e rechaçados pelo famoso Guarda Belo.

6 - Animaniacs

Outro desenho extremamente engraçado que era protagonizado pelos irmãos Warner: Yakko, Wakko e Dot. Quem não se lembra do bordão “olá Enfermeira”. Além dos irmãos, durante o desenho também passavam as divertidas histórias dos ratos Pink e Cérebro. Bons tempos.

5 - Capitão Caverna

E para começar o top 5 desta lista temos o querido Capitão Caverna. Ele que se intitulava como o primeiro super herói de todos os tempos era extremamente engraçado. Melhor ainda quando incorporaram o caverninha, seu filho, ao desenho.

4 - Eek The Cat

Em minha humilde opinião este foi o desenho mais engraçado que assisti. Era muito bem escrito, as situações eram muito divertidas e os personagens auxiliares eram ótimos tb. Tinha o Sharky (o cão tubarão), Ana Bella (a paixão obesa do Eek) e o mais engraçado de todos, o antílope Elmo. O Eek sempre ajudava o Elmo a fazer filantropia, o problema é que ele sempre se ferrava.

3 - O Fantástico Mundo de Bobby

A medalha de bronze não poderia estar em melhores mãos. Desde a abertura que remetia a uma cena famosa do filme O Iluminado, até os episódios extremamente bem feitos, o Mundo de Bobby era fenomenal. Quem viu sabe.

2 – Doug

Doug era o tipo de desenho que não tinha como não gostar. Principalmente naquela fase pré-adolescente. Claro que o Doug viajava as vezes, mas o mundo e as pessoas ao seu redor eram muito parecidos com a vida real. Quem nunca teve um amigo sarna igual ao Skeeter ou uma paixão de infância como a Patt Maionese, e ainda tinha o cão Costelinha, que para mim era o personagem mais emblemático do desenho. 

1 - Caverna do dragão

Sem sombra de dúvidas Caverna do Dragão é o desenho que representa melhor a minha infância. O fato de eu ter sido Rpgista reforça esta adoração pelo desenho. Outro elemento interessante é o fato de o desenho não ter tido final. Existem várias versões, mas nenhuma é oficial, pelo que sei o final nunca foi escrito mesmo. Com ou sem fim, Caverna do Dragão foi um desenho essencial na minha infância e imagino que na de muitos outros também.

Aguardo comentários e outras citações de desenhos legais que ficaram fora da lista.

terça-feira, 19 de julho de 2011

MEMÓRIAS DE UM ESTUDANTE DE MENTIRA (7)

A Gastronomia lado B de Porto Alegre (ou)

Guia Gastronômico do Universitário Pobre


Este com certeza é o capitulo mais saboroso das Memórias, afinal de contas, comer bem é uma arte. Se esta máxima é verdade eu sou um péssimo artista.
Durante os vários anos como morador da CEU (Casa do Estudante Universitário) com certeza o local aonde fiz a enorme maioria das refeições foi o RU (Restaurante Universitário). A razão principal era o preço (0,50 centavos), apesar de não poder descartar a razoável qualidade da comida. Sobre o RU não falarei muito, só mencionarei a deliciosa lasanha de bolacha Maria a bolonhesa servida no jantar, um prato requintado e sustentável, por se tratar das sobras do café da manhã (bolacha) somadas as sobras do almoço (bolonhesa).
Na verdade, o objetivo deste capítulo é mais ousado do que falar somente do RU pretendo que estas linhas sirvam como guia para os universitários de baixa renda domiciliados próximos ao centro da capital gaúcha, para tanto descreverei a seguir as características de alguns points gastronômicos, por assim dizer, que visitei (as vezes com certa freqüência) em Poa.


Cachorro do Seu Hélio: sem dúvida foi o local aonde mais gastei meus escassos dobrões. Em uma determinada época era sagrado comer um doguinho caprichado do seu Hélio nas madrugadas de jogatina do sétimo andar, se pensarmos que todas as madrugadas tínhamos jogatina dá para imaginar quantos dogs foram consumidos. Outro fator determinante para ser cliente desse cachorro quente era o atendimento diferenciado, sempre, querendo ou não, você ouvia uma grande história (impossível precisar a sua veracidade) do seu Hélio. Este estabelecimento gozava de tanto apreço entre os “nossos” que até citado em discurso de formatura ele foi.

Submarino Amarelo: não era bem este o nome do restaurante, mas eu costumava chamá-lo assim por ele ter uma fachada amarela e pela rapidez de submersão da comida em nosso aparelho digestivo, acho que o organismo se recusava a fazer o seu trabalho, talvez pela insalubridade. No submarino amarelo se pagava R$ 3,50 e se comia o quanto conseguisse, porém só era permitido o consumo de uma carne. O buffet tinha uma peculiaridade, ele era aberto às onze da manhã e fechava à meia noite, ao longo do dia a nova comida era simplesmente colocada sobre a antiga ou seja, existia uma grande chance de você a meia noite comer uma deliciosa salada de maionese feita as 11h, por isso eu nunca vi ninguém comendo a salada de maionese.

Restaurante da Sigourney Weaver: Obviamente o nome da dona deste agradável estabelecimento não era Sigourney Weaver, porém as semelhanças com a personagem principal do filme Alien (interpretado pela Sigourney) explicavam a alcunha. O buffet livre com 2 carnes, 2 frutas e 1 copo de refrigerante (não era da linha da Coca) custava meros R$ 3,80, era ideal para os almoços de sábado. O detalhe deste restaurante era a vigia que o casal de donas fazia no momento em que os clientes serviam os seus pratos, se você pensasse em pegar mais uma carne era detido rapidamente, se por engano pegasse mais de duas frutas recebia contestação imediata e era persuadido a abandonar o excedente. Dá para dizer que a dona tinha que matar um Alien por dia para obter lucro.

Cantina do Seu Thomas: Este era o local ideal para se alimentar ao acordar no domingo, ou seja, às 4h da tarde. Geralmente estavam presentes neste estabelecimento as mentes mais brilhantes do submundo portoalegrense. Tinha o “seu Madruga”: um sujeito extremamente irritado que estava sempre sentado no mesmo lugar falando de escolas de samba, tinha outro, “O Professor”, que sempre estava acompanhado de uma mariposa diferente (dividindo um pf com ela), tinha um ex-enxadrista alcoólatra (este sem apelido) e o seu Thomas é claro, sempre com seu mau humor peculiar e bebericando uma cerveja que guardava embaixo do balcão. A opção mais pedida era o PF (R$ 3,50 com uma carne), e o melhor de tudo: era permitido repetir o arroz, feijão e massa, quantas vezes fossem necessárias, era o já aclamado REPETECO.

Pizza Palito: Esta aqui foi histórica, estávamos em um restaurante na esquina da CEU (atualmente sob nova direção) e pedimos uma deliciosa pizza que custava R$ 10,00. Ao servirem a pizza percebemos a inoportuna presença de dois palitos de dente, dispostos perpendicularmente sobre a mussarela e entre fatias de tomates e calabresa. Obviamente reclamamos, invocando os direitos do consumidor e solicitando a troca da pizza, e neste momento, para nossa surpresa, o dono do local nos garantiu que os palitos não tinham sido usados e indicou que simplesmente retirássemos os intrusos e consumíssemos a pizza como se nada tivesse acontecido. E foi exatamente isso o que fizemos, afinal de contas o que é um palito para quem mora na CEU.

Tropical Lanches: E por último, mas não menos importante, falo sobre o Tropical Lanches. Neste estabelecimento nós desfrutávamos de ambiente familiar, culinária típica de mais de 50 países (Chipre, Butão, Antigua e Barbuda, Vanuatu, Zaire, Etiópia, Omãn, Micronésia, Sbórnia dentre outros), atendimento diferenciado e o melhor pastel de queijo da madrugada portoalegrense. Na verdade o tropical abrigava a escoria faminta da subsociedade gaúcha, além de ser o ponto de esquenta para os galãs de rodoviária e a saidera das prostitutas. Resumindo, era um lugar completo. Foram inúmeros os personagens suigeneris encontrados no tropical e várias histórias engraçadas vividas neste local, porém gostaria de destacar uma delas que tem como personagem principal o nosso herói: o Man.
Então, estávamos prestes a solicitar ao prestimoso garçom uma saborosa pizza quando, ao ver a presença de ovo frito no cardápio pela bagatela de 0,50 centavos, o man interferiu no nosso pedido e indagou o garçom da possibilidade de ser acrescentado o ovo em seu respectivo 1/4 de pizza, este pedido simplório causou grande estranheza ao garçom e absoluta comicidade a situação. Estava criada a pizza de calabresa com ovo frito.

Acho que são estes os estabelecimentos mais destacados do centro de Porto Alegre. Acredito que estas informações possam ser muito úteis para a chinelagem universitária, e Bom Apetite.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

REMINISCÊNCIAS DA MINHA INFÂNCIA: TOP 17 ALIMENTAÇÃO

“Bolete é o #aralho, o negócio é Bolin Fruta” (Duda do Marape - Bolin Fruta)

E com esta maravilhosa frase dou início a mais um capítulo da minissérie Reminiscências da Minha Infância. Neste capítulo temos o TOP 17 Alimentação, ou seja, doces, bebidas e chicletes que fizeram parte da minha infância.
A ordem estabelecida seguiu o critério de representatividade, as guloseimas mais presentes na minha infância ficaram com as melhores posições.
Sem mais delongas vamos a lista:

17 - Lanche Mirabel


Digamos que esse biscoito fosse o mais indicado para as crianças, simplesmente porque era o mais barato que existia no mercado. O fato de ser fácil de armazenar e transportar (pelo seu tamanho) dava ao Lanche Mirabel o status de merenda ideal para os recreios escolares, apesar de eu preferir comer a merenda de verdade, muitas vezes com direito a repetição.

16 - DinOvo


Está é somente a primeira aparição de chicletes nesta lista. Imagino que todos se lembrem do DinOvo. É impressionante como as empresas usam a criatividade para conseguir vender seus produtos, só assim para explicar a confecção de um chiclete em forma de ovo de dinossauro.

15 - Bala SOFT


Eram duras estas malditas balas. O gosto até que era aceitável, tanto quanto a possibilidade de se engasgar com ela. Pelo que me lembro 0,10 centavos compravam 4 balas Soft.

14 - Pirulito Chupeta


Definitivamente os Pirulitos Chupeta não tinham um gosto extraordinário, mas o que podemos esperar de algo que custava 0,15 centavos. Quando se é criança não se tem muito discernimento para algumas coisas.

13 - Cigarrinho de Chocolate Pan


Lembro-me de encontrar estes cigarrinhos de chocolate nos piores botecos da minha cidade, lembro também que não eram tão baratos. Ninguém tira da minha cabeça que a Pan (fabricante do chocolate) tinha um acordo com alguma fabricante de cigarro, e usava o formato de cigarro como mensagem subliminar para as crianças já aprenderem a manusear o cigarro. Reparem como o guri da imagem segura o seu chocolate.

12 - Dadinho de Amendoim


Provavelmente este é o alimento desta lista que eu mais gostava. Os comerciantes também deveriam adorar, porque sempre empurravam os dadinhos como troco, e quem não quer um troco assim. Lembro que também existiam dadinhos de caramelo, uma explosão de sabor.

11 - Bolin Fruta


O Bolin Fruta era um chiclete tão especial que mereceu a linda homenagem feita pelo trecho da música usada na abertura deste post. Enfim, mais uma empresa que utilizou a criatividade para atrair seus clientes, afinal de contas, nada melhor que mascar um chiclete com sabor e formato de melancia.

10 - Chicletes Ploc e Ping Pong


Estas duas marcas de chiclete obtiveram extremo sucesso pelo mesmo motivo, contemplavam o seu consumidor com uma maravilhosa figurinha. Formei várias coleções diferentes, mas uma delas fixou-se em minha lembrança: a do Ploc dois sabores (imagem). Ela trazia figurinhas com mistura de animais, tinha, por exemplo, o “ornitoporco” mistura de ornitorrinco com porco, ou o “raturso”, rato com urso. Era totalmente sem noção, mas era bom.

9 - Dan-top


Dan-top provavelmente era uma das tantas marcas dessa guloseima. Para quem não lembra, o negócio tinha o formato do famoso nhá benta (Kopenhagen), as semelhanças se resumem ao formato, porque o sabor do Dan-top era terrível. Eles utilizavam um chocolate extremamente gorduroso (o mesmo tipo de chocolate aparecerá outras vezes neste top). Mas o que esperar de um doce que custava 0,20 centavos.

8 - Sucos que vinham em embalagens Plásticas em forma de frutas


Não tenho a mínima ideia qual era o nome oficial deste suco, mas que era gostoso era. O fato de ele vir nestas embalagens especiais o encarecia consideravelmente, fato este que tornava o meu consumo deste produto um acontecimento raro, mas muito prazeroso.

7 - Miliopã


Escolhi a marca Miliopã para representar as outras milhões que fazem essa salgadinho barato e de qualidade duvidosa. 0,50 centavos era o valor de um saco gigante de salgadinho, tamanho família, ideal para acalmar um bando de crianças pentelhas. Este aqui a Elma Chips nunca ousou copiar.

6 - Maria-mole em casquinha


Era ruim, mas era bom. E o melhor, ela vinha com uma bexiga. Cá entre nós, geralmente a Maria-mole durava mais do que a bexiga, o que não era problema porque era só pedir mais 0,10 centavos para o pai e comprar outra.

5 - Sacolé (Geladinho)


O quinto colocado já salvou muitos brasileiros do calor extremo. O Sacolé é conhecido nacionalmente, não pelo mesmo nome é verdade, mas em se tratando de suco congelado dentro de um saco cilíndrico todo mundo conhece. O meu preferido era o industrializado (foto), mas os caseiros tinham o seu valor. Falar de Sacolé estando em uma temperatura de 7º graus é quase uma heresia. Chega verão!!!!!

4 - Tubaina


Está aqui uma coisa que muda de nome conforme o estado brasileiro. Aqui no Sul ninguém conhece por Tubaina. Na verdade o nome correto é refrigerante em garrafa retornável de 600ml. É mais um dos casos que a marca fica mais conhecida que o produto em si. Enfim, a Tubaina que eu mais gostava era de outra marca, Conquista, na verdade nem era tão boa assim, eu gostava mesmo é porque custava 0,22 centavos no mercado (levando o casco é claro) e 0,40 centavos em qualquer boteco.

3 - Bombom do Fofão




Reservei um clássico para o terceiro posto da lista. O sabor do bombom do Fofão era um atentado violento ao sistema digestivo humano, mas compensava pelo preço. Vocês lembram que eu falei do chocolate usado no Dan-top (9º colocado da lista), era exatamente o mesmo utilizado no bombom do Fofão. É por essas e outras que a infância não foi totalmente perdida.

2 – Guarda-chuvinha de chocolate


Uma tradição, é o mínimo que tenho para dizer sobre os Guarda-chuvinhas de chocolate. Na última páscoa minha esposa encontrou uma caixa deles em uma loja de 1,99, daí ela resolveu comprar e colocá-los na cesta do nosso filho de um ano e meio (lindo por sinal). Imagino que ela colocou lá para ele brincar, porque estes negócios são incomestíveis. Só para constar, o chocolate é o mesmo do bombom do Fofão.

1 - Ki-Suco


E o “alimento” mais representativo da minha infância é o Ki-suco. E não são poucos os motivos. Além de um sabor peculiar (água, açúcar e corante), o Ki-suco rendia que era uma beleza (2litros mais especificamente) e tinha um valor mais que acessível a todas as classes sociais (míseros 0,10 centavos).
Além do Ki-suco clássico, selecionei também a imagem do Qrefresco, com a simpática Baleia, que só pode significar o exacerbado rendimento da bebida, permitindo até que o maior mamífero do mundo se banhe em suas profundezas.


Aguardo comentários e aviso que em breve teremos o terceiro capítulo das Reminiscências e mais um capítulo das Memórias. É aguardar para ver.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

REMINISCÊNCIAS DA MINHA INFÂNCIA: TOP 17 BRINQUEDOS

Como dizia Galileu da Galileia, Bilu Bilu Tetéia” (Sergio Mallandro)

Com esta oportuna frase do inigualável Sergio Mallandro dou início à minissérie: Reminiscências da Minha Infância.
A minissérie está dividida em três capítulos que serão apresentados ao longo das próximas semanas. O primeiro episódio traz o top 17 brinquedos que simbolizam a minha infância. É importante salientar que minha infância (pré-adolescência) se passa majoritariamente nos anos 1990, em um pacato e remoto vilarejo situado no noroeste do estado de SP, chamado Penápolis. Ressalto esta informação por entender que muitos brinquedos que fizeram sentido para mim podem não ter feito para alguns leitores do blog, por se tratarem, muito provavelmente, de uma característica regional.
A idéia dessa minissérie surgiu em uma conversa sobre programas antigos com o colaborador Alex, só para dar crédito. A ordenação foi feita a partir da representatividade que cada brinquedo teve em minha infância.
Sem mais delongas, vamos os Top 17 Brinquedos:

17 - Tamagotchi

E quem não se lembra desta maldita febre que assolou a nossa infância: o famigerado Tamagotchi. Eu nunca tive, mas me dava um prazer enorme pegar o bicho virtual da minha irmã escondido e empanturrá-lo de sorvete até que explodisse. Naquela época poucas coisas davam mais prazer do que matar um Tamagotchi, hoje em dia eu descobri mais algumas.

16 - Comandos em Ação

Este aqui era outra febre da infância, me lembro até que existiam irmandades (clubinhos) que juntavam suas coleções dos Comandos em Ação. E eram caros estes bonecos.

15 - Bat-Beg

Eu era fascinado por este singelo brinquedo, não só pelo desafio de conseguir fazer com que as duas bolas se tocassem harmonicamente, mas pela aporrinhação que o seu barulho constante causava nos outros. Para brincar com o Bat-beg o moleque tinha que ser um tanto quanto masoquista, porque era inevitável levar, de vez em quando, uma bolada violenta nas articulações dos dedos ou onde doesse mais.

14 - Burrinho de Madeira

O nome oficial desse brinquedo não é bem esse aí, até porque existiam outros bichos além do Burro, na verdade eu não tenho a mínima idéia do seu nome oficial. Enfim, a questão é que o animal fica em cima de um bloco de madeira e tinha um engenhoso sistema que fazia com que ele flexionasse todas as suas articulações, e é isso.

13 - Tazzo

Também teve a época dos Tazzos, que nada mais eram que discos com desenhos. Se eu não me engano eles vinham nos salgadinhos da elma chips. Depois de um tempo apareceu o porta Tazzo, o vira Tazzo e o lança Tazzo. Era Tazzo para todos os gostos.

12 - Power Rangers Vira a Cabeça

Pegando carona na febre dos Power Rangers, foram inventados muitos brinquedos homenageando os heróis, mas um em específico ficou guardado em minha memória: o boneco que virava a cabeça. Me lembro como o mecanismo era moderno, era só abaixar uma pequena alavanca para morfar o Ranger, e a mesma alavanca o desmorfava (certamente essa palavra não existe).

11 - Aquaplay

Existiam inúmeros brinquedos com a mesma idéia do Aquaplay, alguns com argolas, outros com bolas de basquete e esse da imagem acima com o mote futebol. A verdade é que todas eram bem legais, um grande desafio para a destreza humana.

10 - Geloucos

Não vou mentir, eu colecionava Geloucos. Funcionava assim, você juntava duas mil tampas de garrafa de Coca-Cola mais R$2,50 e trocava por dois Geloucos. O pior era quando vinham repetidos, e era pior ainda quando o Gelouco era o repetido de todo mundo. Era bravo, tinham alguns Geloucos que todos tinham de balde, em contrapartida existiam os raros também. Eu nunca completei a coleção, até porque meu irmãozinho engolia alguns de vez enquando.

9 - Pogobol

Uma das coisas mais difíceis da face da terra era se equilibrar sobre um Pogobol. Eu nunca consegui, por isso preferia ficar chutando-o.

8 - Bilboquê

Simples, porém divertido. Esta é uma ótima definição para o Bilboquê. Era difícil acertar no começo, depois ia ficando mais fácil e até dava para começar fazer graça. Teve uma época que meu pai inventou de tentar revender Bilboquês, eram dezenas deles espalhados pela casa. Na cabeça do meu pai isso iria nos tirar da lama, não tirou, no máximo fez com que eu ficasse craque no brinquedo.

7 - Fazendinha

Acho que todo mundo já ganhou uma fazendinha de presente, com certeza era o brinquedo mais barato que existia. Me lembro que dava para comprar uns conjuntos (como o da imagem) com muitos bois e cavalos por menos de dois reais, ou 1,99 como queiram.

6 - Vai e Vem

Ele ia e vinha, ia e vinha, ia e vinha e era isso. Mas a criançada gostava, era emocionante ver a Física aplicada ao entretenimento infantil. E ia e vinha, ia e vinha...

5 - Forte Apache

Outro grande sucesso da minha infância era o Forte Apache. E a garotada se divertia simulando uma guerra entre índios e americanos. E não importava quantos índios se tinha, a pólvora esgotava qualquer possibilidade de vitória apache.

4 - Pega-peixe

Esse brinquedo representava a modernidade em prol do divertimento infantil. Era fantástico ver aquele abre e fecha de bocas acontecendo mediante o acionamento de um botão. Claro que depois de um tempo você se cansava da pescaria tradicional e começa a tirar os peixes de outras formas, até no tapa.

3 - Ioiô da Coca-Cola

Não era um mero Ioiô, era da Coca-Cola, era também o meu sonho de consumo. E era bem a época que alguns programas de TV levavam uns loucos fazendo malabarismos com o Ioiô. Me lembro de alguns truques, a Torre Einfeil o cachorrinho passeando por exemplo, mas nunca consegui repeti-los. Até hoje quando eu avisto um Ioiô bate aquela saudade.

2 - Mola Maluca

Eu tinha muita raiva do comercial da Mola Maluca, simplesmente pelo fato de eu nunca conseguir repetir o truque da mola descendo as escadas. Era óbvio que com o passar do tempo a Mola se transformava em uma arma, e atirá-la nos irmãos menores era quase obrigação.

1 - Pirocóptero

E o brinquedo que melhor representa a minha infância é o Pirocóptero. A ideia por trás do brinquedo é genial, imaginem a perspicácia que tiveram ao conciliar a doçura do pirulito com a diversão do helicóptero, fantástico. Claro que tinha o fator humano envolvido, afinal de contas nossas mãos eram as propulsoras do brinquedo, e isso só o tornava mais genial. Ás vezes eu comprava o pirulito pegava o palito e jogava fora o resto. O cara que inventou o Pirocóptero merecia um Nobel de Física, no mínimo.

Aguardo outras reminiscência da infância nos comentários.