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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Vida em 1 Minuto! 2

Conforme prometido, ta aqui o post com as sugestões de vídeos de um minuto. Foram milhares de sugestões recebidas e apenas duas selecionas. Na verdade foram centenas de sugestões, ou melhor, foram dezenas de sugestões recebidas.
Não consigo mentir, foram 2 sugestões recebidas somente, o que não necessariamente quer dizer que não são boas sugestões, enfim, abaixo estão na íntegra as propostas para vídeos de 1min.

Sem Título
Alex (Vulgo Mascote)

Primeira cena: Pessoas atravessando a rua (câmera filmando de um ângulo que pegue os dois lados da rua - o lado da saída e o destino).
Segunda cena: Sinal para pedestres está verde, passa alguns segundos com o desenho do pedestre e passa para vermelho.
Terceira cena: Um homem fica parado esperando o sinal abrir (é filmada a pessoa de frente, sem a visão da rua a sua frente, apenas o cenário atrás da mesma). Chega uma mulher (câmera não muda de posição) e para próximo a primeira pessoa. Chega um homem e fica um pouco atrás dos dois primeiros.
Quarta Cena: Chega uma mãe de mãos dadas com o filho (câmera filmando os dois) e param próximo a primeira mulher.
Quinta Cena: Volta-se a câmera filmando do mesmo ângulo da terceira.
Sexta cena: (Câmera filmando apenas mãe e criança). Criança fala para a mãe: Mãe, por que estamos parados? Mãe responde: Por que os carros estão passando, é a vez deles passarem. Filho responde: Mas não há nenhum carro aqui.
Sétima cena: (Câmera igual a da terceira cena). Todos olham pra criança e olham uns para os outros.
Oitava Cena: (Câmera igual a primeira cena) rua vazia, sem carros e sem as pessoas, apenas a criança.
 
 
Um Futuro Engenheiro
Il Silenzio
 
Momento um: uma senhora lava roupas no rio e cantarola em um dia de céu azul e límpido. Ouve-se o som dos pássaros ao fundo do cantarolar.
Momento dois: um jovem rapaz (descalço e sem camisa) entra em um bar, homens beliscam um queijo minas, bebem uma água ardente e contam causos. No fundo do bar alguns computadores velhos para onde o rapaz se dirige. Ouve-se barulho de copos sendo lavados na cozinha.
Momento três: novamente aparece a lavadeira, agora sem cantarolar, retirando o suor do rosto e secando suas mãos no avental, ela olha para o infinito.
Momento quatro: No bar, o rapaz extasiado em frente ao computador, levanta-se subitamente, entrega algumas moedas ao dono do bar e sai correndo. Ouve-se barulho das moedas sobre o balcão. Mostram-se os passos rápidos pela estrada de chão batido.
Momento cinco: a lavadeira subindo ladeira com uma trouxa de roupas avista o rapaz que corre em sua direção. Ainda de longe ele grita: Mãe, passei!
Momento final: a lavadeira que antes segurava a trouxa, agora abraça o filho, ainda com o avental molhado. Volta-se a ouvir o som dos pássaros.
 
Aguardo mais sugestões, ou não.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

LITERATURA: TOP 10 Melhores Poesias de Drummond!

“Os cacos da vida, colados, formam uma estranha xícara.
Sem uso,
ela nos espia do aparador.”

É com a poesia Cerâmica que dou início ao primeiro Top 10 de Literatura. E nada melhor que começar com Carlos Drummond de Andrade.
Fiz esse top 10 baseado nas poesias publicadas no livro Antologia Poética de Drummond. Isso dificultou minha missão, tendo em vista que a Antologia já é uma seleção das melhores poesias do autor.
Como poesia não se discute, se sente, me limito a fazer a seleção e destacar algum(ns) trecho(s) de cada poesia.
Como já é de praxe, começo com as menções honrosas. Porém dessa vez farei somente uma menção honrosa a todas as outras poesias de Drummond que não entraram na lista. Assim faço mais justiça ao melhor poeta brasileiro de todos os tempos.
Agora vamos ao top 10 Melhores Poesias do Drummond! Em minha opinião, obviamente:

10 – Ser
Trecho Destacado:
“O filho que não fiz
faz-se por si mesmo.”

9 – Quadrilha
Poesia:
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

8 - Morte do Leiteiro
Trecho destacado:
“Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.”

7 - Nosso Tempo
Trechos destacados:
“Este é tempo de partido,
tempo de homens partidos.”
“As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei.”

6 - Consolo na Praia
Trechos Destacados:
“O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.”
“Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.”

5 – José
Trecho Destacado:
“Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?”

4 - Caso do vestido
“Em vão o pai implorou.
Dava apólice, fazenda,
dava carro, dava ouro,
beberia seu sobejo,
lamberia seu sapato.
Mas a dona nem ligou.”

3 - Movimento da Espada
Trecho Destacado:
“Tua lâmina corta, mas é doce,
a carne sente, mas limpa-se.
O sol eterno brilha de novo
e seca a ferida”

2 - Congresso Internacional do Medo
Trechos destacadados:
“Cantaremos o medo, que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,”
“Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas”

1 - A Flor e a Náusea
Trecho destacado:
“Olhos sujos no relógio:
não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo ainda é de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.”

Esse foi o meu top 10, se concorda comente, se discorda comente também.
È importante dizer que os trechos destacados fazem muito mais sentido no contexto das poesias, por isso coloquei os links para a íntegra de todas elas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

LITERATURA: Dois Corpos que Caem!

“O fundamental no mistério é aguçar contradições, e não desvendar. Matar-me, por exemplo, é bom na medida que me torna parte do enigma e, de certo modo, o agudiza.”
“Deus desistiu de entender os homens, e virou também indagador. Sem Deus nem Razão, a única fé possível é mergulhar neste abismo do mistério total.”

Com esses dois ótimos trechos do conto: Dois Corpos que Caem de João Silvério Trevisan dou início a esse post sobre o próprio conto.

Você encontra o conto escrito em:

https://sites.google.com/site/pavilhaoliterario/joao-silverio-trevisan-dois-corpos-que-caem-

E o conto em áudio:
Na versão em áudio foram suprimidas algumas partes do texto, por isso sugiro que as duas versões sejam acessadas.
E como de costume na sessão de literatura desse blog utilizarei a idéia de João Silvério Trevisan e escreverei a minha versão de Dois Corpos que Caem. Na verdade não é bem uma versão, utilizarei o conto como ponto de partida somente.

Conversas de Corredor

Porto Alegre, dez horas de uma manhã qualquer, no presídio de segurança máxima, dois homens desconhecidos sentados em bancos de concreto de um corredor pouco iluminado, conversam.
Na parte de fora do presídio milhares de pessoas erguem cartazes e gritam versos de protesto contra a recém aprovada pena de morte. A polícia intervém, alguns feridos e outros presos. Para os manifestantes já é tarde.
No corredor, João tentando em meio à escuridão desvendar alguma parte rosto do outro, se apresenta. Antônio, sem demonstrar muita vontade, também diz seu nome.
Após vários minutos de silêncio, João decide iniciar um dialogo:
- Então Antônio, o que fez de tão grave para estar aqui?
- Não vejo necessidade em conversarmos – responde Antônio sem muita convicção.
João, sem se preocupar com o que tinha ouvido, continua a conversa.
- Também não vejo muita importância nessa conversa, só imaginei que talvez pudéssemos tentar entender os motivos que nos trouxeram a esse corredor, nesse momento, juntos. Afinal de contas, em minutos entraremos para a história, seremos relatados em todos os livros jurídicos. Nossa execução servirá de debate nos jornais e na TV. Você entende a dimensão disso?
Antônio faz um gesto concordando com as palavras de João, que continua.
- Se eu soubesse que minha morte teria tanta importância não sentiria tanta culpa pelo que fiz. Somente agora percebo que matar toda aquela família era fundamental para mim. Em princípio eu só buscava dinheiro mesmo, não esperava que alguém reagisse. Quero que compreenda Antônio, eu matei por dinheiro, mas se soubesse de toda essa repercussão eu poderia matar por ela. Sempre vivi a margem de tudo, sem reconhecimento, sem prestigio, sem aspirações. Mas hoje Antônio, a minha vida vai mudar. Quando aquela corrente elétrica tomar conta de todo o meu corpo e enfim meu coração parar, eu serei alçado ao centro das discussões, enfim serei lembrado. Não haverá ser humano no mundo que não saberá quem sou, ou quem fui. Meu legado será eterno Antônio. Isso não te parece formidável?
- Sob essa sua perspectiva sim – respondeu Antônio ainda cabisbaixo – mas eu não vejo assim. Serei punido pelo meu crime somente. Punição que eu mesmo deveria ter me dado, mas me faltou coragem. Só espero que não falte ao carrasco.
- Mas e seu legado Antônio?
- Legado é a coisa menos palpável que temos. Da minha vida não restará nada. Na verdade, para mim, minha morte hoje não significará nada. Para os jornais de amanhã será ótimo, “A primeira execução no Brasil”, com recorde de vendas. Mas eu, João, não lerei os jornais no túmulo.
- Compreendo Antônio e espero que quando a sua execução começar você continue com suas certezas. Arrependimentos não cabem para o momento. Morrer te parece necessário.
Alguns passos começam a serem ouvidos no corredor. João sorri, Antônio não demonstra reação. Uma voz pede que ambos se levantem e se encaminhem até a sala de execução.
João e Antônio já estão sentados, devidamente amarrados prestes a serem mortos pela grande voltagem que seus corpos receberão. Ambos dependem somente de um aceno oficial para que o carrasco faça o seu trabalho.
E nesse instante Antônio sussurra:
- Sorria João, assim fica melhor nos jornais.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

LITERATURA: As pequenas grandes coisas de Manoel de Barros.

"Mas o nada de meu livro é nada mesmo. É coisa nenhuma por escrito: um alarme para o silêncio, um abridor de amanhecer, pessoa apropriada para pedras, o parafuso de veludo, etc, etc. O que eu queria era fazer brinquedos com as palavras. Fazer coisas desúteis. O nada mesmo. Tudo que use o abandono por dentro e por fora."
"A inércia é o meu ato principal."
“Não preciso do fim para chegar.”
"Do lugar onde estou já fui embora.” (Fragmentos da Obra "Livro Sobre Nada")

Seria possível fazer esse post somente com fragmentos da vasta obra de Manoel Wenceslau Leite de Barros, ou somente Manoel de Barros.
Esse grande poeta cuiabano, nascido em 19/12/1916, consegue transmitir em suas poesias uma inocência cheia de conceitos. Não raramente vemos palavras usadas com significados inexistentes, verbos que antecipam ações impossíveis e grande quantidade de elementos simples. E é na simplicidade que Manoel de Barros nos encanta, ele escreve sobre coisas miúdas, coisas menosprezadas pelo ambiente, "coisas desimportantes".
Quando vemos o tratamento recorrente que Manoel de Barros dá as formigas conseguimos ter noção da grandeza de sua obra: "Aliás, o cu de uma formiga é também muito mais importante do que uma Usina Nuclear" ou "Para infantilizar formigas é só pingar um pouquinho de água no coração delas."
Ler a obra de Manoel de Barros é das coisas mais agradáveis. Ao adentrar em seu universo notamos como é fácil identificar o odor verde de lagartixas e achar palavras que servem na boca de pássaros.
Manoel de Barros coloca tanto nada em sua obra que chega a transbordar.
Em minha opinião Manoel de Barros é o maior poeta vivo brasileiro. Vale a pena conhecer mais de sua obra e também conhecer um pouco de sua vida. Outra coisa fenomenal de Manoel de Barros são suas entrevistas, pesquisando no google encontrei várias, inclusive uma dele com ele mesmo:
Para encerrar o post nada melhor do que mais fragmentos da obra "O LIVRO DAS IGNORÃÇA" desse gênio da poesia brasileira.

"A chuva deformou a cor das horas"
"Não sei mais calcular a cor das horas."
"Só sei o nada aumentado."
"As coisas me ampliaram para menos."
"As coisas que não têm nome são mais pronunciadas por crianças."
"Descobri que todos os caminhos levam a ignorância."

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

LITERATURA: Carta ao Pai, Kafka.

"Eu sempre gostei de você, embora na aparência não tenha sido como costumam ser os outros pais, justamente porque não sei fingir como eles" (Carta ao Pai, Franz Kafka).

Aproveitando o dia dos pais, escrevo sobre o conto Carta ao Pai, de Franz Kafka. Na verdade não escrevo sobre o conto (tire sua conclusões lendo-o, link: http://www.scribd.com/doc/6906402/Franz-Kafka-Carta-ao-Pai) e sim utilizarei a idéia do conto para escrever a minha “carta ao pai”.



Caro Pai,



Antes de começar essa carta gostaria de lembrá-lo de algo que eu realmente acredito, o amor não é “genético”. Acho importante dizer isso para não ser julgado pelo Sr., como já fui julgado diversas vezes quando falava de ti.
Outra questão que gostaria de tratar a priori, é que não busco, com essa missiva, sentenciá-lo, a escrevo em forma de desabafo somente, não o desabafo de alguém que está engasgado e que não consegue seguir sua vida sem o fazê-lo, mas o desabafo de quem acha que chegou o momento de falar: pura e simplesmente.
Entendo que nossa relação, ao longo desses anos, não foi muito proveitosa, tampouco agradável, mas gostaria que soubesse que não o culpo. Não me culpo também, isso seria demasiado falso no momento. Prefiro encarar esses anos de maneira natural, com certa resignação. Julgá-lo pelas suas atitudes e convicções seria tão infrutífero quanto o contrário.
Desde o momento que nos afastamos venho pautando minha vida e meu comportamento nos seus, só que ao contrário, mas entendo nesse momento que não ajo de maneira correta. Esse comportamento me cegou e confundiu minha formação. Você nunca deveria ter sido parâmetro. Pai, hoje entendo que não quero ser antagônico a você, não preciso disso. Meu caráter não foi definido em resposta ao seu, minha conduta e minha personalidade também não. Existem muitos fatores que influenciam nisso, você é só mais um deles.
Pai, outra coisa que gostaria de te confessar é que não acredito em compensação da vida, nem do destino, tampouco de Deus. Na vida não colhemos o que plantamos, nós simplesmente plantamos e colhemos de maneira independente. Minha ausência e meu silêncio nunca tiveram a intenção de puni-lo, estaria punindo a mim se simplesmente quisesse te amar agora, o tempo disso passou.
Nesse dia dos pais, peço que não execre a minha negação, que não me culpe, ou se culpe, por coisa alguma. Não desejo nenhum mal a você, na verdade eu não desejo nada.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

LITERATURA: Contos selecionados de humor (Luis Fernando Veríssimo)


"A ressaca era a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficará sem castigo." (De Ressaca, Luis Fernando Veríssimo).

Selecionei três contos de humor do meu cronista favorito, Luis Fernando Veríssimo. São três temas bem diferentes, mas que dão a dimensão de quão interessante e engraçado pode ser um conto de Veríssimo.

O primeiro é o conto De Ressaca (link: http://ronaldorossi.com.br/blog/?p=1235). Veríssimo, com um profundo conhecimento de causa, descreve cada tipo de ressaca em relação à modalidade alcoólica ingerida, o que dá a esse conto um caráter de guia. Guia da Ressaca seria um título igualmente apropriado.
Ressaca é um tema recorrente na vida das pessoas, mensalmente recorrente na vida de uns, semanalmente para outros e pior ainda, diariamente na vida de muitos. A solução para isso seria simples, não beber mais, só que assim como solucionaríamos os outros problemas?
Uma pessoa de ressaca não merece ser julgada por isso, não merece dedos inquisidores em sua face e vozes em seu ouvido dizendo "bebida dá nisso, dá próxima vez eu não cuido de você!". Uma pessoa de ressaca merece aplausos, merece ser invejada, ser alçada ao patamar de rei das multidões, bacharel, diplomata, embaixador. Porque a ressaca é para poucos, muitos conseguem beber dignamente mas poucos encaram a ressaca da mesma forma. A ressaca é o acerto de contas do álcool conosco, e os que a encaram de frente merecem nosso "respeito tecnológico".

O segundo é o conto Solidão (link: http://diariograsiela.wordpress.com/2010/03/11/solidao/).
Neste texto Veríssimo narra como seria uma experiência de isolamento total de um ser humano durante longo tempo. Além do caráter humorístico, esse conto da margem a discussões sobre a vida em sociedade, a mente humana e o autoenxadrismo (jogar xadrez consigo mesmo). Como a experiência do isolamento total já foi descrita por Veríssimo, não faz sentido recriá-la de maneira idêntica, sendo assim, eu vou além, a experiência relatada abaixo tem como cenário um quarto de uma residência estudantil (2,5x4 metros), nele temos um triliche, uma coleção  antiga da revista Super Interessante, alguns livros do Kafka, um ebulidor mergulhão, meia dúzia de ovos, um radiorelógio que só pega Caiçara, 1/4 de queijo minas, uma mini garrafa de cachaça, 2 passagens escolares, fita adesiva, um corpo desenhado no chão, fósforos, uma tesoura sem ponta e uma colher de chá. Dois homens ficarão enclausurados nesse quarto durante 1 ano, que para fins científicos serão identificados por R. e H.  O primeiro é um desconhecido corretor de imóveis sem registro de classe com muitos problemas (soluções) afetivos, financeiros e psicosociais, o outro é um aluno de engenharia mecânica que está a 8 anos  na faculdade e ainda tem cadeiras abertas do 1º semestre. A saber: R. é cantor, H. é músico. R. é mundano e H. é extraterreno. R. é insano e H. lunático.
Ás 24h e 30min de 30/02 R. e H. são trancados no quarto, começa a experiência...

Já o terceiro conto, Dia da Confraternização (link: http://bardobulga.blogspot.com/2007/11/dia-da-confraternizao.html), fala sobre as agradáveis confraternizações das empresas, geralmente feitas no final do ano. Quem nunca passou por isso? Esse é um dia extremamente desgastante e hipócrita na vida de um profissional sensato, para os alpinistas sociais é uma oportunidade.
Não com tanto brilhantismo (não tem pretensões de concorrer com Veríssimo) ,  farei algumas observações e darei algumas dicas de como se portar em uma confraternização da empresa.
O começo é sempre cauteloso, algumas pessoas tentando se reconhecer, as vezes sem sucesso,  e outras procurando lugar para sentar. Encontrar o local certo para sentar será determinante para sair ileso, ou não, dá confraternização. Locais reclusos e de difícil localização visual vão te dar o ostracismo que a situação pede, o preço será a distância para os salgadinhos, mas tenha em mente que nessa ocasião o seu respeito na empresa é mais importante que a fome.
A palavra do Diretor/Gerente deve ser ouvida com aparente atenção, e comentários a respeito de sua opção sexual não devem ser proferidos, haverá melhor momento para eles. Na hora do buffet, defenda-se com todas suas forças, sem perder a etiqueta. Ataque à mesa de salgados pelos flancos, avanços abruptos e frontais tornam seu rosto conhecido e, por vezes, podem ser infrutíferos. Tente estar em vários pontos e ao mesmo tempo em lugar nenhum, o importante é não ser notado.
No sorteio dos brindes, não surte quando a TV 50 polegadas for para  o cara mais chato e puxa saco do seu setor, nem quando o seu nome for chamado para receber um lindíssimo kit com boné, chaveiro e squeeze da empresa.
A partir desse momento cada segundo até o final da festa terá a dimensão de uma hora. Sorria quando precisar, aplauda quando todos aplaudirem e torça ao máximo para ninguém te convidar para participar das brincadeiras. Se tudo isso for demais para você, a demissão é o melhor caminho.

Post-Scriptum: Qualquer associação deste post com a realidade será tratada como invenção de uma mente doente.