quinta-feira, 17 de março de 2011

MÚSICA: TOP 10 BANDAS NACIONAIS DE UMA MUSICA SÓ!

“Se eu te dou minha pamonha tu me dá o teu cural?” (Trecho de Funk da Pamonha, interpretado por Rodney Dy).

Com essa ode ao escambo dou início a mais um top 10: Bandas Nacionais de Uma Música Só.
Fazer a lista de bandas de uma música só não é necessariamente original, porém a maioria das listas que vemos por aí (na MTV por exemplo) incluem ou são dominadas por bandas internacionais. Está é bem peculiar, pois elenca somente valores da nossa terra, nem tão valorosos assim.
Para estabelecer as posições do top usei 2 critérios como parâmetro: quanto a música fez sucesso e quanto a banda conseguiu emplacar outra música nas paradas. Ou seja, o fato da música ter feito muito sucesso e da banda nunca mais ter emplacado outro sucesso no cenário musical brasileiro, posiciona-a na lista. Cá entre nós, não são bons critérios, tampouco justos, mas e daí?
Para tornar a lista ainda mais (in)útil criei outro indicativo: status atual da banda. E são quatro os status possíveis:

  1. faz poucos shows por ano, em cidades minúsculas, para público irrisórios, ganhando um cachê de fome e são obrigados a tocar o seu grande sucesso algumas centenas de vezes;
  2. virou banda de baile;
  3. tocam somente em confraternizações familiares ou aniversários de amigos próximos, a troco de comida e cerveja;
  4. ostracismo total
Sem mais delongas vamos ao TOP 10 BANDAS OU CANTORES NACIONAIS DE 1 MUSICA SÓ!

10 - P.O. Box - Papo de Jacaré
Status Atual: 1
Os mais preciosistas dirão que é injusto o P.O.Box estar nessa lista, pois também tiveram outro sucesso, “Não To entendendo”.
Como as duas músicas são péssimas resolvi somá-las, o resultado deu quase uma.

9 - Akundum – Emaconhada (Erva Danada)
Status Atual: 4
E alguém lembrava que era a banda Akundum que cantava esse grande sucesso? Não, nem eu.
Uma coisa interessante que percebi fazendo essa lista é que no Brasil músicas de baixa qualidade fazem muito sucesso. Reparem nesse trecho da letra dessa canção: “Que que eu faço seu dotor?/Que que eu faço seu dotor?/ Essa menina tá cheirando erva danada./- Isso não se cheira pai, isso fuma”. Sem mais.


8 - Dogão - Dogão é Mau
Status Atual: X (o pior é que tudo não passava de um desenho)
O pior era o Mano Cabuloso, que era meio gago ainda. E nunca mais se ouviu falar do Dogão, que descanse em paz, afinal deve existir Céu pra cachorro.


7 - Dallas Company – Clima de Rodeio
Status Atual: 2
E essa é outra música besta que fez sucesso, e como tocou nas rádios e TV. E o refrão é bem pegajoso, quem não se lembra “Alô galera de cowboy. Alô galera de peão. Quem gosta de rodeio bate forte com a mão”. Que saudade do sertanejo de raiz.


6 - O Surto - A Cera
Status Atual: 1
Das bandas e músicas dessa lista essa a que eu acho menos ruim. Não que os excertos “Dessa historia de pirar meu cabeção” e “E o piercing dela refletia a luz do sol“ sejam de grande valor poético. 
O Surto até conseguiu mais algum sucesso, pequeno é verdade, com a música “Tudo é Possível”, mas não foi suficiente para tirar a banda desse top.


5 - Virgulóides – Bagulho no Bumba
Status Atual: 3
E foi na onda dos Mamonas Assassinas que os Virgulóides conseguiram emplacar essa m... nas paradas de sucesso brasileiras. E sabe o que é pior, a música não é engraçada, o clipe não é engraçado e os caras também não tem graça nenhuma. E foi por isso que os Virgulóides se transformaram em ponto final.
“É, é, é, eu acho que o bagulho é de quem ta de pé.”


4 - Rodney Dy – Funk da Pamonha
Status Atual: 3
Não duvido que alguém dirá que a música “Espetinho de Guria” também fez sucesso, e que além dessas o Rodney Dy compôs “O Carro dos Churros”, “Funk do Minhocão” e “O Emo Corre”. 
O importante é que o porto-alegrense Rodney Dy morreu, pelo menos nas paradas de sucesso. E a quem diga que nem nasceu.


3 – Bragaboys – A Bomba
Status Atual: 4
E já foi mais metade da lista e não tem nenhuma música de qualidade, e a tendência é permanecer assim, reforçando a idéia que para fazer sucesso no Brasil não precisa de muito, por essas e outras que eu continuo acreditando no sucesso do MC Phudy. Para quem não se lembra link abaixo:
E dá-lhe ostracismo!


2 - Cogumelo Plutão – Esperando na Janela
Status Atual: 1
Ta ai uma banda que sintetiza bem essa lista, o Cogumelo Plutão. A música em questão estourou nas paradas brasileiras, tocou demais nas rádios, e a banda se apresentou não sei quantas vezes na TV. Mas e depois? Nunca mais conseguiram sucesso. É a típica banda que enquanto existir vai ter que tocar “você é a escada da minha subida...”.


1 - Kaoma – Chorando se Foi
Status atual: 2
Quando ouvimos falar da banda Kaoma logo nos vem à cabeça essa música, e como não lembrar do seu refrão mega pegajoso “Chorando se foi quem um dia só me fez chorar”. Eu até tentei encontrar um outro sucesso da banda, mas nada, é só isso aqui mesmo “A recordação vai estar com ele aonde for”. Para se ter idéia do sucesso dessa música recorri ao Wikipédia e olha o que eu encontrei lá “A canção atingiu o primeiro lugar nas paradas da Áustria, do Brasil, da França, da Noruega, da Suécia e da Suíça quase que simultaneamente”. É possível dizer que o Kaoma chorando se foi para nunca mais voltar, com os bolsos cheios pelo menos.
Para saber mais veja o filme “Lambada a dança proibida”, presente nas melhores e piores locadores de sua cidade.

Você sabe de mais alguma banda de uma música só? Escreva nos comentários.

sexta-feira, 11 de março de 2011

8000

E nesse exato momento o Blog De Leigo para Leigo atinge 8000 visualizações. Pode não parecer tanto, e não é mesmo, mas para mim é muito significativo.
Gostaria de agradecer a todos que de alguma maneira colaboram com esse blog. S2 pra vocês. hehehe

quarta-feira, 2 de março de 2011

MEMÓRIAS DE UM ESTUDANTE DE MENTIRA (4)

Este post traz mais um capítulo da aclamada série “memórias de um estudante de mentira”, após publicar as memórias de outros estudantes de mentira, volto com tudo com as minhas lembranças. E nada melhor do que voltar em grande estilo, com mais histórias do Man.

O Lobo da CEU
O Man era um sujeito muito criativo, pena que nem todos conseguiam entender essa sua característica. Entre suas tantas invenções destaco a criação do Lobo da CEU. Simplificando (porque é simples mesmo) o Lobo da CEU era qualquer um que fosse até a janela de seu quarto e uivasse desesperadamente visando incomodar os outros moradores da casa e os prédios vizinhos. Você já deve imaginar qual era o horário preferido para os uivos, madrugada é claro, e de preferência em dias de semana. Em pouco tempo a pratica de uivar na madrugada já havia arrebatado vários outros seguidores, se tornando uma febre na CEU. É claro que nem todos admiravam essa febre, protestando com gritos ou atirando ovos pela janela, um desses chegou a atingir um dos Mans, mais especificamente o BlackMan.
O campo de atuação dos uivos do Man não ficou restrito aos arredores da CEU, ele passou a uivar nas ruas, bares, supermercados e outros ambientes propícios. Uma vez estávamos caminhando pela República (rua de Porto Alegre) quando nos deparamos com uma senhora varrendo a calçada, o Man tomado de certa culpa perguntou para a senhora se podia uivar naquela rua, diante da afirmativa recebida ele encheu os pulmões e soltou um uivo tão alto que causou inveja aos lobos mais experientes da matilha.
O sucesso do Lobo atingiu a grande rede, e é possível visualizar no vídeo abaixo uma outra vertente desse símbolo da CEU, a sua veia artística. Importante ressaltar que a letra da música também é de autoria do Man. Vejam e tirem suas próprias conclusões.

Sopapos a revelia
Essa história do Man me trouxe muitos incômodos. Antes de entrar no caso propriamente dito é necessário contextualizá-lo.
Na época do ocorrido o Man não era mais morador oficial da CEU, porém ele passava um tempo considerável no quarto em que o Mineiro e eu residíamos, era um hóspede do barulho, digamos assim. Essa hospedagem não era ilegal, mas nos dava caráter de responsáveis pelas atitudes do Man enquanto estivesse dentro da casa. Ser responsável pelo Man não é uma coisa muito fácil, ser qualquer coisa dele já não é simples.
Enfim, naquela fatídica manhã o Man chegou da balada um tanto quanto alterado. Só pra constar, a palavra balada no dicionário do Man significa: “Passeio aos inferninhos do centro da cidade com vistas a encontrar alguma mulher, independente de características estéticas e idade, disposta a uma noite de sexo sem compromisso em troca de um vale transporte e um doguinho (no valor de um real) da barraca do seu Hélio”.
Então, o Man não chegou muito sóbrio da balada e teve uma grande ideia: arrombar a porta de um dos moradores (que por motivos de segurança chamarei de REI) e surrá-lo pelo corredor do 7º andar. Ideia pensada e ideia executada. Antes dos desdobramentos da surra falarei um pouco sobre o REI. Essa não foi a primeira coça que ele levou, tampouco a última, anteriormente ele já havia apanhado por diversos motivos, inclusive por ter defecado no ralo do chuveiro. REI era um sujeito perturbado, mas alguns achavam que ele era louco de esperto, isso sim.
Voltando, o Man chegou umas 7h da manhã na CEU, deu uma bica na porta do REI e começou a estapeá-lo, a esse restou correr pelo corredor gritando por socorro. Pedido esse infrutífero por todos saberem de quem se tratava. Nesse momento o Mineiro e eu fomos despertos pelo estridente barulho de um tapa bem dado na lata de alguém, logo juntamos os pontos e percebemos que se tratava de mais uma do Man. A reação inicial foi levantar e trancar a porta com o claro objetivo de não relacionar os acontecimentos do corredor com o quarto 721, mais tarde delatores entregaram para a administração da CEU que éramos nós que hospedávamos o Man.
Resumo da história em tópicos:
  • recebemos uma intimação para comparecer na administração;
  • o Man foi terminantemente proibido de pisar em qualquer território pertence a CEU;
  • o ouvidor de ópera do REI ficou zunindo alguns dias e a porta de seu quarto precisou ser consertada;
  • e o mais legal, todos (ou quase todos) moradores da CEU tiveram uma manhã bem mais agradável ao ouvirem os gritos de dor de um morador indesejado.
São desses fatos que os mitos são feitos. Esse era o jeito Man de fazer as coisas, todos momentos eram potenciais para que ele arrumasse confusão, e como arrumava, e normalmente a culpa recaia sobre outras pessoas, o Man saia ileso na maioria das vezes, mas nem sempre.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Nova enquete!

Já está no ar a nova enquete do blog (canto superior esquerdo). Aguardo a opinião dos leitores sobre qual é a categoria do blog que mais agrada, ou seja, qual é a melhor categoria do blog. O resultado será de grande relevância para os próximos posts, ou não.
Em relação a enquete anterior, agradeço todos os 20 votos recebidos, na verdade eu agradeço pelos 18 votos, tendo em vista que eu votei duas vezes. Imagino que mais pessoas votaram 2 vezes, agradeço esse esforço também. Abaixo temos os resultados da enquete:

Galvão Bueno e Casagrande: 1 voto
Silvio Luis e Neto: 12 votos
Paulo Brito e Saraiva: 3 votos
Haroldo de Souza e Edegar Schmidt: 4 votos.

Se alguem quiser comentar os resultados fique a vontade, para mim foi dentro do esperado.
Votem na nova enquete!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

CINEMA: Top 10 filmes de Ação!

“Não vem não que hoje eu estou com a macaca” (Frase do Filme Morte Súbita)

É com essa belíssima frase proferida por Jean-Claude Van Damme na versão dublada do filme Morte Súbita que dou início ao primeiro top 10 de 2011, Filmes de Ação.
Apesar de não ser a categoria cinematográfica que mais me apetece resolvi elencar os 10 melhores filmes de ação da minha vida. Um fator complicador da seleção foi definir o que é um filme de ação, até porque a maioria dos filmes se encaixa em mais de uma categoria, sendo assim fui obrigado a criar um mecanismo para definir melhor a categoria desse top 10. O filme será considerado de ação se apresentar em seu decorrer um (ou mais) dos acontecimentos relatados abaixo:

  • perseguição alucinante de carro;
  • tiroteio;
  • policiais corruptos,
  • perseguição alucinante de moto;
  • emboscadas;
  • roubos de automóveis;
  • perseguição alucinante de bicicleta;
  • assassinatos brutais;
  • tráfico de drogas;
  • tráfico de armas;
  • perseguição alucinante a pé;
  • assassinatos não tão brutais;
  • policiais bonzinhos que tomam um tiro (não fatal), mas se recuperam a tempo de matar os bandidos, fazer uma piada e beijar a mocinha;
  • furtos espetaculares a relíquias valiosas;
  • qualquer tipo de perseguição.

Seguindo esse valioso mecanismo consegui selecionar o meu top 10 e as menções honrosas, que são: 60 Segundos (2000); Cartada Final, A (2001); Colecionador de Ossos, O (1999); Fogo Contra Fogo (1995); Fugitivo, O (1993); Justiça Vermelha (1997); Outra História Americana, A (1998); Ronin (1998); Sin City – A Cidade do Pecado (2005) e V de Vingança (2005). Agora o top 10:

10 - Con Air – A Rota da Fuga (1997)
Dessa vez o top 10 não começa morno, Com Air é um baita filme. Nicolas Cage para variar está muito bem e não está só, John Malkovich é outro grande ator. Não vou antecipar nada a respeito do filme, só peço que todos assistam.

9 - Infiltrados, Os (2006)
O nosso 9º lugar é somente o primeiro filme dessa lista que ostenta o Oscar de melhor Filme, o que cá entre nós não quer dizer, necessariamente, alguma coisa. O que mais me chamou atenção no filme é a tensão que ele transmite, em determinado momento tudo pode acontecer, não é nada previsível. Grande filme.

8 - Máquina Mortífera (1987)
A 8ª posição na verdade é uma homenagem a todos as 2563 continuações de máquina mortífera. Nesse caso especifico as continuações não são tão ruins, na verdade são tão boas quanto o primeiro. Os saudosistas podem discordar, mas eu acho que todos são muito legais e mantêm o mesmo nível. Com certeza o maior clássico dessa lista.

7 - Dia de Treinamento (2001)
Essa é só a primeira aparição nessa lista do grande ator de filmes de ação (dos bons filmes) atualmente: Denzel Washington. Aparição essa que rendeu até um Oscar de melhor ator para o cara, muito merecido por sinal. O Filme é muito bom, fala sobre a corrupção na policia de uma maneira bem peculiar, tem que ver.

6 - Colateral (2004)
Outro grande filme de ação, tem sido e será uma regra dessa top 10. O que vemos em Colateral é muita adrenalina e grande dose de tensão. Resumindo: é a história de um taxista que tem o prazer de receber em seu táxi um assassino de aluguel que tem alguns serviços para aquela noite. Assim começa uma noite alucinante para o pacato taxista.

5 Chamas da Vingança (2004)
Olha o Denzel aqui outra vez, avisei que ele apareceria de novo desse top. Só que dessa vez ele é um ex-policial, meio depressivo digamos assim, que começa a trabalhar como segurança particular. Não vou me estender, só aviso que esse é um filme muito bacana, que vai te deixar ligado o tempo todo.

4 - Onde os Fracos Não Têm Vez (2007)
Esse filme é muito foda. Também, como Os Infiltrados, ostenta a estatueta de melhor filme. Javier Bardem encarna o melhor vilão da história do cinema, atuação impecável. Falando em vilões, outro fator interessante no filme é tentar encontrar o mocinho, ninguém é realmente bom ou mal, que filmaço.

3 - Última Noite, A (2002)
A medalha de bronze dessa lista não poderia estar em melhores mãos, A Última Noite é um baita filme. Só a presença de Edward Norton já garante qualidade ao filme, ta aí uma constatação interessante, não me lembro de ter visto filme ruim com a participação dele, ou eu deveria assistir a mais filmes ou esse cara só faz filmes de qualidade. Que filme.

2 - Profissional, O (1994)
Que história, que momento, que legal. O segundo melhor filme de ação da minha vida é fenomenal. Existem muitos filmes sobre assassinos de aluguel, mas esse aqui é disparado o mais sui generis deles. Não posso antecipar nada em relação ao filme, só que nunca ouvi alguém dizer que não gostou de “O Profissional”. 

1 - Pulp Fiction: Tempo de Violência (1994)
Nada melhor que coroar um clássico como melhor filme de ação da minha vida, e que clássico. Acontece de tudo nesse filme, Quentin Tarantino acertou em tudo, é de longe a sua obra prima. Se você ainda não assistiu a Pulp Fiction, nunca diga que viu um bom filme de ação. Espetacular.

Essa é o meu singelo top 10 filmes de ação, se alguém tiver algo contra que escreva nos comentários agora ou fique off para sempre.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Memórias de Mais um Estudante de Mentira!

Seguimos a saga dos estudantes de mentira com a manifestação de mais um deles, Alex, vulgo Mascote. Apesar de não ser morador da CEU, o Mascote viveu grandes momentos lá, principalmente nas festas de arromba que promoviamos (arrombavam o caixa da Associação). Enfim, vejam o que esse nobre colaborador tem a dizer.


Afinal, o que há para comemorar?

Festa pra que? Venha para a Antifesta.
2004.
Julho, outubro? Na verdade, acho que era novembro. Acho que era perto do feriado do dia 15. Não lembro a cor do meu cabelo, se era laranja, vermelho, loiro ou as três cores juntas. Na verdade, acho que era preto. Acho que estava curto. Era uma época cheia de negações sobre clichês. Uma pré-crise de 3o semestre, me adaptando as duas dezenas de anos, um amor platônico pela minha melhor amiga e a falta de coragem para me declarar (só tinha coragem para passeatas de calças rasgadas e encontros com o pessoal da FAG - Federação Anarquista [AnarKista] Gaúcha e movimentos de estudantes de Maceió... Mas isso tudo hoje é apenas uma fotografia nas paredes da lembrança. Mas como dói! ). Estava em uma fase punk, grunge? Na verdade, acho que era pós-punk. Acho que era uma fase intimista. Acima de tudo intimista. Não tinha vontade de sair, preferia ficar ouvindo how soon is now e ler poetas franceses do século XIX.
Andando pelo Campus Vale eu vejo um cartaz noir instigante. Vinha com perguntas provocativas como "cansado das festinhas ao som de Creedance?". Aquilo chamou muito minha atenção. Anotei o endereço, horário (Casa do Estudante? Sala X? É a mansão dos X-men?). Convenci dois amigos a irem comigo (não foi tão difícil, pois eu, depois de tanto tempo, finalmente estava indo a uma festa – NÃO É UMA FESTA, É UMA ANTIFESTA – dizia isso como resposta a eles). Após a festa, peguei um cartaz que estava no Vale e o guardei. Tenho até hoje, mas por preguiça, não o procurei para tirar as palavras certas e a data certa da festa para colocar no texto.
Vesti minhas roupas pretas (que era o único tipo de roupa que tinha na época), e fui com meus amigos para a tal de CEU. Cheguei cedo, muito cedo... Mas já era noite, ruas escuras, assim como a sala era escura, com as janelas escurecidas, balões negros, velas e uma TV passando Nosferatu. Love, love will tear us apart, again... Era o que sofregamente cantava Ian Curtis quando chegamos. Lá encontrei o Márcio, sim o Bahiano arretado do Márcio, dono de um dos melhores, senão do melhor poema não publicado, o cara que usa vários apelidos em seus textos, um sociólogo em formação. Não o conhecia. Quero dizer, apenas o vi algumas vezes em Drama e Narrativa ou alguma dessas cadeiras da Letras. Me recebeu bem, veio conversar comigo, me ofereceu uma caipirinha 'no amor' (meus amigos e eu achamos o máximo e usamos por um longo tempo, para ser sincero, até hoje essa expressão). Estava lá também (ou não?) o Eduardo, sim, Soledade. O Ex-Eterno Presidente da AMCEU, no tempo em que o mesmo não tinha namorada, falava com simples mortais portoalegrenses (ah, esses garotos da capital não sabem de nada) pessoalmente e até por msn, mandava e-mails, pedia ajuda com o Torre de Babel e era um humilde sociólogo em formação que também era meu colega junto com o Márcio. Me pergunto até hoje como ele ficou assim e o Márcio não.
A antifesta foi perfeita, exceto pelo fato de uns Dark/Góticos extremos (um inclusive meu colega na Letras) chegarem lá, estourarem os balões e irem embora revoltados por que não era uma festa extremamente dark. Márcio gravou um CD da festa e vendeu para o meu amigo, eu conversei um monte com uma garota das Sociais que nunca mais vi, não lembro o nome, mas, que se fosse hoje em dia eu trovaria e chegaria nela. Na verdade, acho que não. Acho que nem ao menos conversaria tanto. Não me lembro se fomos os últimos a sair. Rezo todo o dia para esquecer tudo que vivi entre o início de 2003 ao final de 2005. Na verdade, acho que até adiante disso. Acho que quero esquecer minha vida. Depois disso, comecei a frequentar muito a CEU e a sala X. Virei fã do Torre de Babel, uns meses antes e depois vim a descobrir que eram esses caras que escreviam e que tinhamos sonhos, idéias e ideais em comuns... Até mesmo o Eduardo.
Uma das festas que fui foi a festa junina de 2005. Tenho a impressão que fui sozinho a essa festa, não sei, mas a umas anteriores e posteriores havia ido sozinho. Fui o primeiro a chegar e fui recepcionado pelo Márcio com um gravador (estava fazendo uma transmissão ao vivo para uma rádio e começou a me entrevistar). Não lembro muito o que falei, mas lembro que fui também o último a sair dessa festa e quis ajudar na limpeza (bêbado, mas quis ajudar, porém, não deixaram). Acho que foi nessa festa que conheci o Mestre Putinga, autoridade/divindade máxima e meu iniciador no bocabertismo a Jana-de-estrela-com-a-voz-mais-bonita-do-mundo, o Emerson, sim, o Poeta, criador deste blog ao qual tenho a HONRA de escrever essas singelas, puras e sinceras memórias mentirosas. A certa altura da madrugada ganhei um chapéu de palha que começou a ser assinado por todos esses já citados – inclusive o Eduardo que na época desprendia alguns segundos de sua vital existência para comigo – e onde me deram a alcunha que até hoje sustento: Mascote. Primeiramente fui mascote da sala X, como consta no chapéu que até hoje guardo, mas que depois, tal qual um pokémon, evoluí, também não me lembro por causa de quem ou como, para Mascote da CEU. Lembro que alguém, acho que o próprio Emerson, me viu com o chapéu e não queria que eu o levasse, até que alguém explicou que tinham me dado aquele chapéu. Gastei todo meu dinheiro na festa, voltei a pé em plena madrugada pela João Pessoa, Osvaldo Aranha e Ipiranga cambaleando com um chapéu de palha na cabeça (depois dizem que bêbados não tem anjo da guarda... Pôxa, para me cuidar assim, só mesmo um arcanjo). Outras festas fui, mas ai já dormi 'clandestinamente' em um quarto e outro (sempre havia um colchão), teve um aniversário que de noite fui para lá e só voltei no outro dia.
Depois de um tempo, as pessoas começaram a sair da casa, sair da UFRGS, sair... O acaso, o destino e os D43s fazem com que nos encontremos às vezes e é assim mesmo. Sei que muitos dos leitores do blog não me conhecem. Sei que nunca fui um morador de lá, apesar de ter passado várias noites (não sequênciais) lá, frequentá-la por vários anos (não diariamente, nem semanalmente e muitas vezes, nem mensalmente), sei que minha história não envolve momentos midiáticos, revoltas contra o status quo, loucuras pela capital, mas a CEU participou de revoluções internas, reflexões, um simbólico big bang de emoções, sentimentos muitas vezes invisíveis ao mundo. Porém ela, assim como muitos de seus moradores, fazem parte da minha história, do meu verbo ser em todos os tempos e modos e, por mais que queira esquecer muitas coisas, sempre gosto de relembrar e até tentar lembrar mais dessas Memórias de Um Estudante de Mentira.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Memórias de Outro Estudante de Mentira!

Eu não era o único estudante de mentira que morava na casa do estudante, por isso abro espaço aqui no blog para alguns amigos da época também contarem suas memórias. Para começar ninguém melhor que o eterno presidente da AMCEU (associação de moradores da CEU) o Eduardo.
Sem mais delongas vamos ao texto do Duda.

A procissão que acabou em protesto

Revoltados com a situação, eles cantaram palavras de ordem e bateram panelas na Avenida João Pessoa, na Capital, para pressionar a instituição a solucionar o problema. Segundo os manifestantes, a escassez de água decorre de um problema no próprio prédio. Os estudantes afirmam que já houve casos de até dois dias sem abastecimento. Zero Hora, 07/04/2009.
Noite de 6 abril de 2009. Quinto andar da Casa do Estudante. Havia faltado água na Casa do Estudante desde o meio dia e fomos informados pelos porteiros que havia ocorrido um problema na caixa d’água da Casa. Esses problemas, aliás, estavam ocorrendo seguidamente, mas naquele dia nem sequer fomos avisados antes. E como era comum que o problema só fosse resolvido no outro dia, tivemos que tomar uma decisão drástica: sair dos quartos e nos relacionar com os outros. Assim como nos momentos em que a internet caía, os moradores costumavam se reunir no hall quando faltava água. Para quem já passou pela situação, a casa se tornava um lugar realmente difícil nesses momentos, já que o odor dos banheiros se fazia insuportável em poucos minutos, o que inquietava a todos. No hall do quinto andar nos reunimos em peso, sem distinção de gênero ou de consciência. A primeira ideia que alguém teve foi a de verificar se as mangueiras de incêndio dos corredores tinham alguma água. A boa notícia é que havia uma boa reserva de água, a ruim é que essa reserva tinha sido guardada há alguns anos, dada a sua cor. Pelo menos ela já serviu para a descarga dos banheiros. Foi aí que o Sandro, meu colega de quarto, teve a ideia de tomar banho. Sandro é um tipo humano excêntrico. Nem precisava dizer, pois eu só tive colegas de quarto estranhos. O Sandro se superava quando estava bastante embriagado, pois possivelmente ele estivesse meio embriagado constantemente, eu pelo menos quero acreditar nisso. Pois então, o Sandro fazia Geologia e era o tipo de cara que topava qualquer coisa que viesse em tom de desafio e fosse pronunciado em público, como daquela vez em que ele baixou a última peça que ainda lhe restava no corredor do quinto andar. Bem, vou resumir o Sandro lembrando que a última vez que eu saí com o Sandro, o Putinga e o Pouso Novo estavam juntos, e o Sandro foi abandonado de madrugada no videokê da festa, empolgadíssimo.
Continuando, foi aí que alguém deu outra ideia de organizar uma procissão. Sempre nos lembrávamos daquelas procissões de interior, das velas nos copos cortados de xampu e das velhas desafinadas que faziam entonações mais arrepiantes em determinado trecho da música. Na semana anterior havíamos realizado nossa primeira procissão no andar que, aliás, havia sido bem sucedida, assim como a primeira corrida de mãos dadas no corredor em duplas e até, pasmem, em trios. Mas voltarei a esse ponto. De velas em punho, baldes, luzes apagadas, músicas cristãs (algumas de axé também) seguimos até o oitavo andar, acrescentado palavras de ordem e súplicas por água. Fomos até o oitavo andar e íamos arrecadando no caminho outros moradores tão desocupados quanto nós. De fato, o negócio saiu um pouco do controle e quando estávamos no segundo andar alguém deu a ideia de irmos até a Reitoria. De fato, era uma ideia estúpida, já que não havia ninguém lá (a reitoria não é a casa do reitor), até que desistimos e ficamos pela João Pessoa. Foi aí que o negócio esquentou mais. Os moradores dos outros andares foram para a sacada e outro grupo ficou na João Pessoa, que ia recebendo cada vez mais pessoas. Todos gritavam por água e o pessoal começou a jogar água das sacadas, a mesma água que o Sandro levou um banho. Como estavam todos alucinados, para não dizer outra coisa, o líquido veio a calhar. Pois bem, tomamos a João Pessoa. É preciso considerar que naquele horário ninguém iria querer a João Pessoa, pois naquele horário todo mundo queria dormir, como ficou claro nos objetos jogados dos outros prédios ao lado. Pois bem, tomamos a João Pessoa a partir de uma demonstração simbólica de posse: a corrida de mãos dadas no corredor de ônibus. Um sonho realizado. Eu corri de chinelo no corredor de ônibus da João Pessoa e naquele momento isso não parecia uma imbecilidade. Cada um ao seu modo fazia seu protesto particular.





Foi aí que a polícia chegou. Foram chegando e já pedindo que nos retirássemos da rua (que absurdo!), o que não aconteceu, o negócio começou a ficar quente. O policial perguntou: “quem é o responsável por isso?”. Um sujeito em clima de festa diz: “todo mundo!” e como quem contempla sua própria voz repetiu mais alto: “todo mundo!”, continuando a batucada. Houve discussão e um morador foi levado, somente um, apesar dos demais pedidos. Averiguação. Depois as coisas se estenderam mais, com o reforço de cinco viaturas, já que se tratava de pessoas muito perigosas. A grande mídia também apareceu, ouviu depoimentos e todas as reivindicações dos moradores, que ao longo da semana e de outras reportagens, passaram a uma lista infindável. A movimentação acabou com a chegada do diretor da assistência estudantil, que conversou com alguns moradores. Pela manhã o abastecimento de água foi normalizado.

Breve moral da história
Apesar da falta de planejamento o protesto teve conseqüências positivas, já que a assistência melhorou bastante com a visibilidade da mídia, sinal de que quando interessa à imagem da instituição as coisas acontecem. As pessoas perceberam, sem querer, que tinham o poder de transformar o lugar onde estavam por uma via menos demorada e burocrática.

Desdobramentos
Sandro ainda freqüenta a “Hora Feliz”, festa semanal da Geologia e ainda volta para Caraá para disputar o campeonato de futebol.
O cara que disse “todo mundo” não foi mais encontrado.
O morador que foi preso voltou intacto.
Putinga também participou da primeira corrida de mãos dadas no corredor do quinto andar, mas não estava presente nesse episódio.
O Man não morava mais na casa, do contrário o incidente teria outro desfecho.
A corrida de mãos dadas ainda não é reconhecida como um esporte, a despeito dos benefícios morais (fonte de solidariedade) e físicos (barriga de tanquinho) proporcionados.
Para acessar algumas reportagens do episódio, acessar:

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Novidades Blog 2011 – Enquete!

“É contra as leis da física Arnaldo” trecho de uma narração de Galvão Bueno na Tv Globo.

Gostaria de apresentar aos queridos leitores a primeira novidade do blog em 2011, agora temos uma enquete mensal. Como possivelmente a quantidade de respostas das enquetes não atingirá uma amostragem representativa, e os temas apresentados não serão significativos no atual contexto social brasileiro, os resultados servirão para exatamente nada.
A primeira enquete já está devidamente publicada e destacada na parte superior esquerda do Blog. E nada melhor que um tema polêmico para iniciar essa nova sessão do blog, afinal de contas quem não imaginou quem vai narrar o seu enterro? Enfim, darei alguns exemplos de como eu imagino que seriam as narrações de cada um dos concorrentes.


Galvão Bueno: “Bem amigos do presunto. Errrrgue os braços o coveiro e tem inicio o enterro. Haja coração (frase dita antes de saber que o motivo da morte foi uma parada cardíaca). Pra cima deles defunto, e isso pode Arnaldo? E quem é que sobe o caixão Casagrande”
Casagrande: “ãããããããh, ééééééé, não sei, ãããããã”


Silvio Luis: “Salve, salve amigos da família, acertem os seus aí que eu arredondo o meu aqui, está valendo. Pelo cheiro da mortadela esse velório vai ser demorado. Pode fechar o caixao e beijar a viúva. Estão levantando o caixão, vão mandar o charuto daí mesmo, olho no lance, ééééééééééééééééééééééééé... Foi, foi, foi, foi ele, o craque em vestir paletó de madeira. Eram passados redondos 45 min. de enterro e ele foi lá balançou o capim no fundo da cova. Pelo amor dos seus filhinhos.”
Neto: “É brincadeira”.


Paulo Brito “Boa taaaaarde. Mas era bom esse morto em Saraiva?
Saraiva: Ele era muito competente no que fazia, desde a época que era assistente de gari já demonstrava toda a sua capacidade. Começa bem o enterro”
Paulo Brito: “Esse é o Saraiva. Está na hora de enterrar, eles se preparam para baixar o caixão e feitooooooooooooooooooooooo”.


Haroldo de Souza: “E o defunto chegou tremulando, tremulando, termulando. Está entrando na cova um grande ser humano, respeitem esse homem.”
Edegar Schmidt: hksdjhbfkjdgfksdg (impossível de entender).


Acredito que seria mais ou menos assim, mas se alguém tem alguma outra sugestão de narrador e de comentarista para o seu próprio enterro é só colocar nos comentários.
E não esqueçam de responder a enquete, sua opinião é muito desimportante para o blog.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Balanço 2010 - Perspectivas 2011!

"O ano termina, e nasce outra vez. Hiroshima, Nagasaki" (Então é Natal - Simone)

Balanço 2010

É com essa insuportável frase que começo o primeiro post de 2011, e só para constar, a Simone é chata pra caralho, mas quem não é?
O Blog De Leigo para Leigo sobreviveu ao seu ano de estréia, o que cá entre nós não é mais que obrigação. Foram 36 posts em 2010, começando com o “Primeiro Post”, publicado em 15 de jul., até o “Memórias de um Estudante de Mentira (3)” de 29 de dez. Esses 36 posts foram divididos nas seguintes categorias: Artes, Cinema, Literatura, Música e Para Gostar de Pensar.
O Blog totalizou 131 comentários, distribuídos não uniformemente pelos posts. Em uma eleição feita por mim mesmo, escolhi o melhor comentário de 2010, que vocês podem conferir na integra abaixo:

“Chupa Posonovo, Assinado – Beto”.

Em relação aos acessos, o blog teve a incrível, inacreditável, chocante, improvável e sensacional marca de 5900 visualizações (contagem oficial do blogspot). Os 3 posts mais acessados foram, pela ordem: Top 10 Músicas de Duplo Sentido, Top 10 Clássicos da Música Brega Nacional e Top 10 Piores versões em Português, com 322, 294 e 285 visualizações respectivamente. Em relação a visualização da página por país, o Brasil obviamente ficou em primeiro com 5398 visualizações, seguido por EUA (175), Portugal (104) e Suíça (40). Essa distribuição por paises só comprova uma coisa, tem gente desocupada em todo lugar do mundo.

Perspectivas 2011

Para esse ano tenho pensado em mais algumas categorias que serão inseridas no blog no momento conveniente, ou seja, quando eu tiver saco para escrever. Pensei tb em torná-lo mais interativo, publicar textos ou listas de outras pessoas, enfim, familiarizar o blog. Tendo em vista que nada que escrevam pode ser pior do que eu já escrevo, o nível vai continuar o mesmo, seja lá qual for.
Outra resolução para o blog em 2011 é escrever mais corriqueiramente, mas essa é outra coisa que vai muito da minha vontade em cada dia. Também vou continuar com as minhas memórias, tem muita coisa legal para escrever ainda, aguardem.

É isso, se alguém tem alguma sugestão para 2011, ou quer ser colaborador do blog (seguindo a mesma linha é claro) deixe um comentário.
Aproveito para encerrar agradecendo os comentaristas assíduos que o blog tem, seria complicado descrever todos (nem tão complicado na verdade), mas queria destacar um que comentou todos os posts, valeu Mascote!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

MEMÓRIAS DE UM ESTUDANTE DE MENTIRA (3)

Mais uma do “Man”
O Man foi o personagem mais emblemático que conheci na casa do estudante, tudo que acontecia de ruim na CEU ele tinha participação, direta ou indiretamente. Quando acontecia alguma merda todos tinha uma única certeza: o Man tem alguma coisa haver com isso. Obvio que quando ele não tinha nada haver com o BO acabava levando a culpa, é o preço da fama.
Vou contar agora mais um caso do ser humano mais “sui generis” que eu conheci, o Man.
O caso do Salto do Viaduto: Certa madrugada o Man teve uma brilhante idéia, pegou emprestado um playstation de um amigo colocou em uma mochila e saiu rumo à casa de sua respectiva. Como todos sabem (ou suspeitam) as ruas de uma cidade grande não são muito seguras e de madrugada são ainda piores. Porto Alegre não é diferente, mas o que nem todos sabem é que a CEU, nesse aspecto, fica muito mal localizada. Todas as ruas ao redor ficam deveras perigosas de madrugada, não existe caminho seguro. O Man também sabia disso, só que não se importava muito.
Enfim, ele saiu com o valioso console pelas ruas de Porto Alegre, e aconteceu o que todos previam, uma tentativa de assalto. Claro que todos os acontecimentos foram narrados pelo próprio Man, o que naturalmente torna 75,6% mentira, porém eu ainda acredito na pureza da resposta das crianças.
Conforme relato, dois assaltantes encurralaram o Man na parte superior do Viaduto, um dos meliantes retirou a mochila que estava em suas costas e atirou-a para a parte inferior do viaduto. Importante salientar que os assaltantes não tinham conhecimento do valioso conteúdo da mochila. Até aqui parece um assalto convencional, porém o nosso “sui generis” amigo em um ato desesperado, talvez impulsionado pela iminente perda de um videogame alheio, se atirou do Viaduto Imperatriz Leopoldina rumo ao desconhecido. Isso mesmo, o Man se jogou atrás de sua mochila. Os assaltantes atônitos nem pensaram em persegui-lo, afinal de contas o que esperar de um cara que se joga de um viaduto?
Já com sua mochila, e algumas dores na lombar, nosso herói prosseguiu sua caminhada, mas aquela fatídica noite ainda não havia terminado. Já ressabiado pelo ocorrido, o Man pegou na rua dois pedaços de madeira e seguiu armado, digamos assim. E não é que ele encontra outro suspeito nas escuras ruas da capital do RS. Só que desta vez ele não deu sopa para o azar, empunhou os pedaços de madeira como se fossem espadas samurais e aos gritos correu em direção ao suspeito, que surpreso e cagado fugiu sem entender nada.
O Man conseguiu chegar ao seu destino e o videogame não sofreu prejuízos físicos, porém emocionalmente ele nunca mais foi o mesmo.

Uma noite alucinante
Tudo aconteceu em uma noite de natal, quando alguns amigos e eu fomos contratados para trabalhar em um dos bares de uma grande festa aqui em Porto Alegre. Importante salientar que era uma festa para a burguesia, o ingresso custava 100 reais e a bebida era liberada, no nosso bar só serviríamos espumante.
Antes da festa começar nós carregamos bebidas, ajeitamos as taças e deixamos tudo pronto. Quando tudo estava no devido lugar, começa uma das piores tempestades que a cidade já viu, várias taças quebraram, copos voaram e o organizador começou a cogitar cancelar a festa, o que não aconteceu. Após a chuva cessar o povo começou a chegar, e em poucos minutos o clube já estava lotado, algo em torno de 3 mil pessoas. Só para ter uma noção do que era a festa, o som estava a cargo do Bochecha, aquele mesmo que fazia par com o finado Claudinho.
No bar nós não estávamos impedidos de consumir as espumantes, “faz o que tu queres, pois é tudo da lei”, então foi o que começamos a fazer. Quando a garrafa estava para acabar era pra dentro da pança que mandávamos os seus restos. E de pouquinho em pouquinho íamos ficando bêbados. E com a alteração causada pelo álcool vieram as cenas mais inusitadas da noite. Primeiro uma moça perguntou para o FatMan que espumante era aquela “Dubois”, tomado de imensa gentileza ele imediatamente respondeu “Espera ai, para tudo, isso aqui é espumante francês, se pronuncia ‘Duboa’, e restou a moça sair de fininho.
Depois o BlackMan ficou extremamente louco e começou a despejar espumante no balcão de atendimento, como se ela fosse vendida por metro, e momentos depois colocou a cabeça dentro de um recipiente lotado de gelo. O Bar da espumante já não servia mais, ficávamos dançando e bebendo, nos incorporamos à festa, e o melhor, estávamos ganhando para aquilo.
A festa acabou umas 8h da manhã e após recebermos o nosso suado pagamento fomos diretamente para a CEU, e no caminho o improvável aconteceu. Dentro do ônibus ao passar por uma profissional do sexo, voltando de mais uma noite de trabalho, o BlackMan resolve homenageá-la, bota a cabeça pra fora da janela e começa a cantar Roberto Carlos para a moça, se eu não me engano a música era Desabafo. Imaginem, dia 25/12 às 9h da manhã um doido com a cabeça na janela do ônibus cantando Desabafo do Roberto Carlos para uma mariposa, e o pior, depois de trabalhar quase 12h seguidas em pé. Descrevendo pode não parecer engraçado, mas ao vivo podem ter certeza que foi. É muita paixão!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

CINEMA: TOP 10 Sessão Pancada!

“Quando acordei percebi que todos meus móveis tinham sido roubados e trocados por réplicas idênticas” autor desconhecido.

Somente essa frase já seria suficiente para explicar o top 10 de hoje, Sessão Pancada, mas eu vou tentar complementá-la.
As vezes alguns amigos e eu nos juntávamos para fazer a sessão pancada, mas o que seria exatamente a sessão pancada? Eu explico, a sessão pancada era quando nos reunimos para assistir 2 filmes ou mais em seqüência e eles tinham que ter algumas características peculiares, como por exemplo: o filme não podia ter lógica, tinha que ter algumas (ou muitas) cenas inexplicáveis ou emblemáticas, e por último, deveria ser um filme extremamente difícil de assistir até o final.
Obviamente as sessões nunca terminavam com todos acordados, mas eu sempre fui até o fim.
Selecionei 10 filmes que poderiam fazer parte da sessão pancada, só que eu vou adiantar, tem que ser forte para ver qualquer um deles até o final.
Vamos a lista:

10 - Medo e Delírio (1998)
Esse é um filme realmente doente. O cara passa o filme todo drogado e de vez em quando vê uma imagem de um jacaré. O filme não tem muita lógica, ou seja, é ótimo para a sessão pancada.

9 - Lady Vingança (2005)
É o terceiro filme da trilogia da vingança do diretor sul-coreano Park Chan-Wook. A cena inicial do filme já mostra porque ele é ótimo para a sessão pancada. A mulher ao sair da cadeia é recebida pelo pai da criança que ela supostamente matou, importante dizer que ele criou uma religião para a assassina de seu filho, só que ao invés de ficar feliz com a recepção ela simplesmente ignora o sujeito. Esse é um filme típico de sessão pancada, mas apesar disso é bem bom.

8 - Oldboy (2003)
Esse é o Segundo filme da trilogia da vingança. Eu acho que o Lady Vingança é até melhor que o Oldboy, porém em se tratando de sessão pancada Oldboy merece estar a frente. Que filme louco, mas também não é um filme ruim.

7 - Réquiem para um Sonho (2000)
Grande filme, algumas cenas histórias, isso sem falar na música tema do filme: http://www.youtube.com/watch?v=SmijKjosplM&feature=related

6 - Irreversível (2002)
Outro filme bem doido. Não só pela maior cena de estupro da história do cinema, mas tb pela maldita câmera que fica uns 15 min. girando. Sessão pancada até o talo.

5 - Teorema (1968)
Esse aqui é um filme deveras estranho. Resumindo a história: um desconhecido chega em uma casa e faz com que todos se apaixonem por ele. E ele come todo mundo, a empregada, a mãe, o pai, o filho, o cachorro dentre outros. Bem loucão.

4 - Crash – Estranhos Prazeres (1996)
Se vocês querem assistir um filme ruim, esse aqui é o indicado. A história é demente, fala sobre pessoas que tem fetiche por transar em carros acidentados, isso mesmo, pessoas que não podem ver um carro amassado que já se excitam. É quase tão besta quanto o segredo do Gerson de Passione. É um filme bem ruim, mas tb é bem pancada.

3 - Cidade dos Sonhos (2001)
Obvio que deixei o melhor para o final. E quando o assunto é sessão pancada o melhor é David Lynch. Esse cara é perturbado. 80% de Cidade dos Sonhos tem lógica, narra a história de uma jovem atriz que vai tentar a carreira no cinema americana. Só que do nada o filme perde todo o sentido, os personagens começam a ter atitudes totalmente diferentes, parece que começa outro filme. É uma doença, ou como diria Rimbaud “uma chaga no ânus”.

2 - Spider – Desafie Sua Mente (2002)
A medalha de prata do top 10 sessão pancada não poderia estar em melhores mãos, afinal de contas um filme sem sentido nenhum que fala sobre um esquizofrênico merece demais essa posição. Não tente entender esse filme, tudo faz parte da loucura do personagem principal, da loucura do diretor, da loucura do roteirista e da loucura de quem pagou para fazerem essa coisa.
Se quiser assistir, assista, só não diga que eu não avisei.

1 - Império dos Sonhos (2006)
E o filme mais pancada já feito na história do cinema, e só poderia ser dirigido por David Lynch.
Eu tenho uma teoria sobre Império dos Sonhos, Lynch escreveu várias cenas desconexas, tinha uma idéia e escrevia. Não vendo muita lógica no filme ele resolveu inovar, pegou todas essas cenas e atirou para o alto, a seqüência do filme se deu conforme a posição que elas caíram. Eu ouvi que o filme por se tratar de um sonho não precisava ter lógica, se for assim eu viro cineasta e faço só filmes sobre sonhos, ou seja, sem lógica nenhuma.
E sabe o que é pior em tudo isso, David Lynch é aclamado como um grande diretor Cult.

Deixe seu comentário a respeito desse top e diga se faltou algum clássico da sessão pancada.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

MEMÓRIAS DE UM ESTUDANTE DE MENTIRA (2)

Desavenças na CEU
Em todos esses anos de casa do estudante eu presenciei várias desavenças entre moradores, participei de algumas também. Nem sempre essas desavenças ocorriam por algum motivo concreto, as vezes só o fato de não ir com a cara do outro já era motivo para comprar uma briga. Eram raros os inimigos declarados, a maioria não se gostava mais tentava conviver pacificamente, na medida do possível.
A maioria das brigas se dava por motivos fúteis: uma cueca esquecida no banheiro ou pelo barulho incessante de dados rolando na mesa do hall de madrugada ou ainda pela gritaria inerente a um bom jogo de truco. Sobre essas eu não darei mais detalhes, vou focar apenas nas brigas mais esdrúxulas ocorridas na CEU, que são duas. Já antecipo que infelizmente não houve nenhuma tragédia em nenhuma delas, infelizmente somente para os telespectadores.
Faço agora o meu relato sobre os acontecimentos.

Armando uma imensa confusão
“É madrugada, parece estar tudo normal. Mas esse homem desperta, pressentindo o mal”. Essa frase da música Um Homem na Estrada do grupo Racionais, reflete bem meu sentimento naquela fatídica madrugada de domingo, antes vou descrever o ocorrido.
Era uma noite de um sábado qualquer quando alguns meliantes do 7º andar tiveram a brilhante idéia de pedalar (chutar e socar) a porta de um morador do 5º andar. Importante salientar que esse morador era odiado por uma boa parte da CEU, inclusive por mim, que por ser extremamente covarde não participei da operação.
Os meliantes se dirigiram até o andar da vítima e desferiram vários chutes e socos na porta de seu quarto, alguns gritos de ordem foram entoados “A.(inicial do nome da vítima) filho da puta”, “sai daí se tu é homem” e coisas do tipo. Mediante ao silêncio vindo do quarto, os meliantes viram o quão infrutífera tinha sido a operação e decidiram manifestar sua ira em um bilhete que com o auxilio de fita adesiva foi afixado na porta da vítima, no bilhete continha a seguinte frase ”A. aparece no 7º andar que tu tá morto”.
Após o ocorrido, a noite seguiu tranqüila no 7º andar, com animadas conversas sobre a operação e o quão hilária ela parecia. O que ninguém podia prever é que ás 6h da manhã de domingo, a vítima chegaria da balada e ao ver sua porta depredada empunharia uma perna de uma mesa de madeira, e se dirigiria ao 7º andar para verificar se o que o bilhete dizia seria realmente realizado pelos seus idealizadores.
É nesse momento que a frase da canção dos Racionais fez sentido para mim. Só que eu não pressentia o mal, ele estava ali batendo na minha porta. Ou melhor, na porta do banheiro, pois era nesse local que a vítima desferia a sua raiva com golpes precisos de perna de mesa.
Pensei seriamente em me levantar e enfrentá-lo, talvez tentar dissuadi-lo de acordar todos os pobres e inocentes moradores naquela manhã de domingo, mas o excesso de sono impediu que minhas pernas se movessem.
Talvez seria melhor que os meliantes deixassem claro em seu bilhete o horário exato que a vítima deveria aparecer no 7º andar para que o homicídio pudesse ser realizado. Os assassinos não acordam as 6h da manhã em um domingo, muito menos os que moram na CEU.
Conclusões da história: a vítima passou a ser réu por ter depredado patrimônio público, mas nada aconteceu; nenhum meliante conseguiu vencer o sono e cumprir o prometido no bilhete; a história foi debatida ao longo do dia; e eu voltei a dormir até às 13h como já era de costume nos sábados, domingos e feriados.

Funeral do Imortal Tricolor
Obviamente uma das homéricas confusões na CEU ocorreu por causa de futebol. O jogo que causou tanta polêmica foi Grêmio X Boca, final da taça libertadores de 2007.
Na ocasião o Grêmio tinha a difícil tarefa de virar um placar adverso, no jogo de ida a equipe havia perdido por 3x0 e necessitava de um pequeno milagre para sagrar-se campeão, o que não ocorreu. A respeito do jogo já temos informações suficientes.
Antes da partida, nos reunimos para fazer um esquenta. Pelo que eu me lembro muito vinho barato e de qualidade duvidosa foi consumido. Um dos nossos acabou se passando nas doses ingeridas, para preservar o pouco que resta de dignidade desse amigo vou ocultar seu nome verdadeiro, a partir de agora o tratarei apenas como “Man”. Em suma, o Man tava bebasso. Só para ilustrar, vou elencar algumas coisas que o Man consegue fazer quando está bêbado: comer xaxim, pedalar portas e colocar bilhetes nela, estapear ex-moradores de rua ao amanhecer, praticar sexo com mulheres que roubam celulares ou que estejam grávidas de trigêmeos, afugentar ladrões correndo e gritando, usar uma máscara do pânico no Zaffari, se formar no curso Técnico em Transações Imobiliárias, dentre outras. Muitas dessas coisas ele fez são tb, mas é consenso que é mais fácil fazê-las alcoolizado.
Voltando ao incidente. Após o apito final do jogo o Man (gremista, diga-se de passagem) arriou as calças apagou as luzes do corredor, acendeu uma vela e começou a entoar um verso composto por ele mesmo naquele momento, era mais ou menos assim “Funeral do imortal tricolor, funeral do imortal tricolor”. O verso deveria ser repetido indiscriminadamente por tempo indeterminado. Obviamente os gremistas do andar não gostaram do verso, porém como conheciam o Man e sabiam das suas peripécias, nem deram bola.
É nesse momento que dois moradores do 8º andar (gremistas) que estavam descendo as escadas rumo a algum boteco afogar as mágoas, ouviram o verso e decidiram manifestar a sua indignação em relação a ele. E é nesse momento que eles encontram um sujeito esquálido, sem camisa, com a calça arriada, segurando uma vela em uma mão e uma garrafa de velho barreiro em outra, simulando o tal funeral que o verso fala.
Eu gostaria de dar um pause na história e perguntar para o cidadão de bem e digno que está lendo essas linhas. Você ficaria bravo com o Man? Você considera que ele deu motivos suficientes para esses dois desconhecidos quererem “colar o seu brinco”? Só queria que todos refletissem a respeito.
A confusão se instaurou no sétimo andar. As pessoas se amontoaram no corredor tentando ver alguma briga ou coisa do tipo. Os dois gremistas estavam enfurecidos com a manifestação daquele sujeito, ficaram mais emputecidos quando descobriram que o Man também era gremista. Diziam “isso ai não é torcedor de verdade”. Dentre os vários acontecimentos, a situação mais engraçada foi quando o Man se ajoelhou e entregou a garrafa de velho barreiro na mão de um dos torcedores e disse “pode bater”, extremamente cômica a cena.
Depois de toda a confusão, das ameaças e nada de briga pra valer, cada um se dirigiu a seu quarto e o Man saiu pela culatra, teoricamente saindo da CEU. Claro que ele não deixou por isso, algumas horas depois ele voltou e foi uivar no 8º andar, tivemos mais uma correria e novamente ele sumiu, só que para não mais voltar, pelo menos naquela noite.
As brigas da CEU são engraçadas porque elas não parecem sérias de verdade e no final ninguém se machuca, nem um arranhão sequer. Parece uma peça de teatro, que eu com certeza pagaria para ver.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

MEMÓRIAS DE UM ESTUDANTE DE MENTIRA

Prefácio

Esta obra narra as memórias de um estudante universitário vívidas em uma Casa do Estudante Universitário. Não é possível distinguir a ficção da realidade tampouco precisar se as memórias do estudante aconteceram em um plano real ou são frutos de sonhos do mesmo.
Para melhor compreensão dos fatos a obra foi dividida em posts e os posts por sua vez estão subdivididos em casos específicos.

CEU ou Torre de Babel?

A Casa do Estudante Universitário (CEU) é onde os seres mais peculiares do mundo são alojados e obrigados a conviver e interagir uns com outros, independentemente de qualquer individualidade, sanidade mental ou traquejo social. Diferentemente da Torre de Babel, a língua falada na CEU é a mesma, salvo algumas palavras e sotaques característicos das várias regiões do estado, do Brasil e até de outros países. Sobre esses sotaques estrangeiros gostaria de elencar alguns personagens internacionais que conheci ao longo dos seis anos que morei na CEU, são eles: 
  • um russo hare krishna que tinha o costume de entrar nos quartos de desconhecidos que estavam com suas portas abertas com vistas a usar computadores para acesso a Internet russa (esse costume não era bem aceito pelos donos dos computadores);
  • duas peruanas que dançavam suntuosamente um ritmo latino caliente até então desconhecido por mim;
  • um alemão chamado Francisco que tinha grande interesse pela cannabis sativa local e tinha receio de ser passado para trás por algum brasileiro típico;
  • um israelense (ou palestino ou árabe) que não tinha fluência em nenhuma língua viva conhecida atualmente - inclusive na dele - perdido durante o Fórum Social Mundial; 
  • alguns argentinos desprovidos de capacidade futebolística que em tese deveria ser automaticamente uma característica de todos os filhos dessa querida pátria vizinha; 
  • uma colombiana sem nada para destacar;
  • e alguns africanos dos mais diferentes países com destaque para um congolês (que não me recordo de qual dos dois Congos era) que sabia a capital de todos os países reais e inventados do globo terrestre. 
Sobre os personagens nacionais falarei nos próximos capítulos.
A CEU é a prova que pessoas com as características mais diferentes possíveis podem conviver em perfeita harmonia em um mesmo local. A CEU também é a prova que essas mesmas pessoas com as características mais diferentes possíveis podem conviver em estado de guerra constante, passando pelas mais inusitadas brigas e entrando em conflitos dos mais diversos gêneros.

6 Meses e alguns dias de irregularidade

Eu não entrei na casa necessariamente pela porta da frente, o meu insucesso no vestibular impediu que a CEU abrisse suas portas regularmente para mim, o que em momento nenhum me dissuadiu de adentrá-la. Enfim, em meus seis primeiros meses de estadia na tão difamada casa do estudante eu precisei ser muito perspicaz e em inúmeros momentos tive que ter muito arrojo para não me descobrirem.
Quero deixar bem claro que essa irregularidade era totalmente indispensável, não estava utilizando as benesses da assistência estudantil em vão ou para o meu bel prazer, era necessidade pura.
Foram seis meses tentando não ser notado. Os vizinhos de 7ª andar sabiam que eu estava ali, afinal de contas o banheiro era comum, mas o que ninguém sabia precisar era o porque de eu estar. Imagino que todos achavam que eu era somente mais um universitário estudioso e quieto, o que se configurava em um triplo equívoco, pois não sou quieto nem estudioso, e naquele momento não era nem a sombra de um universitário (o péssimo desempenho no 1º vestibular valida essa opinião). Eu era somente um paria infiltrado entre as futuras mentes pensantes da sociedade. Conhecer melhor essas mentes brilhantes me causou imensa preocupação com o futuro da nossa sociedade e me fez refletir ainda mais sobre quem salvará nossos filhos. 
Na metade do ano de 2003 eu passei no curso técnico e enfim consegui minha vaga oficial na CEU, mas não canso de lembrar daqueles seis meses e alguns dias vivendo em um submundo obscuro e cheio de incertezas.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Música: A nova música brasileira!

"Se o verão chegou. É só alegria. Estou no pega, pega amor. No compasso da Bahia”.
Este post é dedicado a todos os compositores de música ruim do Brasil, que não são poucos por sinal.
Se o título do post sugere que eu farei uma discussão sobre o rumo da música brasileira, suas novas tendências e seus recentes talentos, seria melhor trocar o título, mas eu não vou. Na verdade meu único objetivo é tentar lançar um novo hit para o verão de 2011. Vejam o vídeo abaixo:

Se você reparar na data que o vídeo foi colocado no youtube verá que ele não é tão novo assim (março de 2007), mas como ele não decolou ainda, vou dar mais uma chance para o talento desse singelo cidadão brasileiro.
Por se tratar de um vídeo caseiro, filmado por algum leigo em filmagens, a qualidade é baixa e às vezes fica impossível entender a beleza e sutileza de sua letra. Por isso a coloco abaixo, pelo menos o que eu consegui entender.

"Ela não gosta de usar...calcinha
Dá vontade de passar minha mão nessa bundinha
Ela é musa, ela é gata, poderosa do salão
Com a cheirosa rebolando e quebrando até o chão
("filma o pé Emerson" não faz parte da letra original, mas pode ser incorporada sem prejuízo da música)
Deixa a galera agitada, louca para passar a mão
Pois todos sabem que ela não usa calcinha no verão
É bonita é safada ela é bem sem vergonha
Essa gata é cachorra e ainda fuma maconha
Ela gosta do funk e sabe dançar
Rebolando e quebrando pros caras babar (sic)

É, ela vai, uhhh, enche o salão
Pois todos sabem que ela não usa calcinha no verão
É, ela não usa calcinha no verão."

Até hoje eu não entendi como essa ode ao “dinheiro na mão e calcinha no chão” não estourou nas paradas de sucesso. Mas nunca é tarde quando se tem um sonho, e por isso eu vou investir nesse talento nato do cancioneiro popular brasileiro e ver se pelo menos aqui no blog ele alcança o sucesso almejado e merecido.
E você investiria no MC Phudy? Quanto?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Arte popular e acessível: Cowparade

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


Olavo Bilac


Desde o início do mês de Outubro, Porto Alegre foi invadida pela Cowparade, que nada mais é do que esculturas de vacas em fibra de vidro decoradas por artistas locais e distribuídas pelas cidade, em locais públicos como estações de metrô, avenidas e parques. Segundo informações no site do evento http://www.cowparade.com.br/poa/, após a exposição, as vacas são leiloadas e o dinheiro é entregue para instituições  beneficentes.
O evento já passou, desde 1999, por mais de 55 cidades no mundo todo. Aqui no Brasil as vaquinhas já tomaram conta das cidades de Belo Horizonte, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e agora Porto Alegre.
A exposição vai até 20 de novembro nas ruas de Porto Alegre, quem quiser pode conferir a localização delas no mapa http://www.cowparade.com.br/poa/googlemaps/mapa_cowparade_poa_2010.pdf
Para quem não estiver disposto a percorrer a cidade atrás das vaquinhas, pode conferir todas elas em exposição no Bourbon Country de 21 a 30 de Novembro.

O que eu acho da exposição?

Quando estive no RJ em 2007 fiquei sabendo da exposição pelos jornais, mas como ela estava nos últimos dias eu acabei perdendo, e não vi uma vaquinha sequer. Desde lá eu tinha muita vontade de ver. Fiquei louca quando soube que viria pra cá. Acho a escolha da vaca como painel, uma ótima idéia. A vaca, um animal tão grande e desengonçado vai se trasnformando em inúmeras coisas diferentes, cheia de cores, formas e texturas. A escolha de artistas locais torna a exposição ainda mais interessante, já que podemos ver traços da cultura de cada cidade representada nas mimosas.
Os locais onde elas ficam expostas também são bem democráticos, vão de shoppings a esquinas do centro da cidade. Isso torna a Cowparade ainda mais popular. Por onde se anda vê-se pessoas comuns contemplando, comentando e registrando imagens das protagonistas da exposição. Isso é arte popular: acessível e simples!

Pensei em escolher algumas vacas que eu tivesse gostado para postar aqui, mas como a exposição ainda está acontecendo, e todo mundo ainda tem chance de vê-las, resolvi postar imagens de algumas vacas que achei curiosas nas Cowparade de outras cidades pelo mundo:
ASTRONAUT COW
Prague, Czech Republic
SECURICOW
Auckland, NZ
POLPA FICTION
Florence, Italy


COW ME NOW
Rio de Janeiro









No site http://www.cowparade.com/ você acessa essas e outras vaquinhas de exposições anteriores pelo mundo.


E se você  fosse um dos artistas selecionados para pintar uma das vaquinhas, o que vc representaria nela? Onde você desejaria que ela fosse exposta? Mande suas idéias, comente!